CULTURA

Poesia em tempos de quarentena


Adalberto Souza

22/04/2020 12h52

 

De passagem pela cidade que dorme.

Sonhos, dores, postes.

Luzes que brilham para ninguém.

De passagem pela cidade que não é minha.

Atravessando pontes que ligam lugares que não conheço.

Ruas que não me sabem.

Aquela casa verde?

Quem mora?

Quem deseja?

Alguém chora?

Somente essa vez, nessa cidade que dorme.

 

Partes escuras pouco iluminadas, amareladas e esquecidas, quem mora?

Quem espera o outro chegar?

Do bar?

Do trabalho?

De outro amor?

 

Somente essa vez e, nunca mais,

nessa praça, esse banco,

já viu amores?

Começos?

Despedidas?

Correrias?

Floradas em temporadas alternadas?

Quem plantou?

Quem cuidou?

Foram arrancadas?

Na mesa de quem amarelou?

As folhas secas?

Quem levou?

Que vida em outras vidas essa árvore guardou?

 

Nessa cidade de histórias adormecidas, de passagem somente, hoje é nunca mais.

Cidade adormecida embalada por histórias esquecidas e curtas perdidas.

 

De passagem pela cidade que dorme. De passagem.

Somente.

 

Adalberto Souza



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