CULTURA

Um Gato que se chamava Rex


Adalberto Souza

08/01/2019 15h29

            Em tempos de acaloradas discussões sobre rosas e azuis, ideologia de gênero, aceitação, inadequação corporal, nada mais acertado do que o novo livro do escritor Lucas Barroso, Um Gato que se chamava Rex (Moinhos, 2017).

            Primeira incursão do autor no universo infantil, vindo dos excelentes Virose, (2013), O ano dos mortos (2015) e Um Silêncio avassalador (2016), Barroso mostra também sua verve literária em tratar de uma boa história para os pequenos e os não tão pequenos assim, "somos feitos de histórias. Somos feitos para contar histórias. Elas, simplesmente, acontecem e deixam marcas profundas na gente".

            O livro é uma fabula sobre ser e aceitar o que se é. A personagem principal, o gato que não se aceitava como tal e vivia como um cão. Já no título isso causa estranheza sendo Rex, um nome típico (quase como uma regra) de cachorro e não de gato. O livro trata da trajetória de vida dele desde filhotinho, os primeiros passeios, contatos com os “amigos” no parque e o medo de ser diferente entre iguais. "Pode alguém sentir que nasceu dentro de um corpo errado? Pode alguém ser diferente do que parece ser?"

            De uma forma lúdica, Barroso vai traçando toda a vida do felino. E isso em tempos de intolerância é um libelo de sensibilidade. Tudo no livro é delicado e real. Mostra que por trás da “dita inadequação” existe alguém que borbulha de dúvidas e preocupações. Não apenas a definição de ser isso... ou aquilo. “A vida tem uma porção de coisas que a gente não entende bem. Muitos mistérios, segredos e surpresas ao longo do caminho. Algumas vezes, fica difícil explicar ou compreender o que acontece."

            O Gato Rex sente na pele a angústia, o medo, o preconceito, a forma de ser olhado. Também sente a aceitação, o amor, o acolhimento. Assumir a vida do outro, ser outro num corpo que não é o seu. Tudo isso está presente no livro. De forma bastante clara e é impossível não se deixar levar por essas questões vista pelos olhos do carismático gatinho. E ainda embalado pelas belas ilustrações de Humberto Nunes. As imagens servem como tradução sensorial do texto bem como potencializa a singeleza da história.

            A grande moral da bela fabula escrita por Lucas Barroso é o reconhecimento e o respeito às diferenças, as idiossincrasias de cada um. Ver o outro sem preconceito, e mais ainda mostrar para a criançada que somos todos iguais. Grande livro. Grande história.

Onde achar:

https://editoramoinhos.com.br/loja/um-gato-que-se-chamava-rex/

 



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