Esporte

Projeto social em AL “forma cidadãos” pelas mãos da arte marcial


Fonte: Globo Esporte/AL

09/10/2017 14h34

Não tem no dicionário, mas no dia a dia a gente aprende que um dos sinônimos de esporte é superação. É clichê, é senso comum, mas é real. Note como começam as histórias dos jogadores de futebol, dos atletas e dos lutadores. Todos têm o mesmo objetivo: se firmar no esporte para conseguir uma vida melhor. A narrativa abaixo não é muito diferente. Na verdade, ela começa até em uma academia de nome forte, de impacto: Super Ação. A história é sobre a vida de dois irmãos e um professor que encontraram no muay thai a chance de evoluir.

"Meu sonho antes era formar atletas, agora é formar cidadãos", declara o criador do projeto social Muay Favela, Luiz Tigrão, ao lembrar a motivação que o levou a dar início aos treinos de muay thai gratuitos aos meninos na Grota do Rafael, no Jacintinho.

Fabrício "Binho" e Rian Alves – de 20 e 16 anos, respectivamente – são irmãos. Os dois fazem parte do projeto Muay Favela. O caçula luta muay thai há dois anos, e o mais velho há apenas alguns meses. Ele foi incentivado a praticar a arte marcial pelo nobre motivo de acompanhar e apoiar o irmão mais novo nos treinos.
"O muay thai trouxe um bem estar para mim e [participar dos treinos] é um incentivo para o meu irmão. Estou aqui como um apoio para ele. Antes de eu praticar o muay thai eu já apoiava ele, mas agora estou achando melhor ainda que estou lutando com ele, treinando com ele. O Rian está melhor do que antes. Antes eu apoiava de casa, incentivava. Ele sempre foi bastante esforçado", conta o atleta.

Binho tem dois empregos, é montador de móveis e garçom em uma pizzaria. Na casa onde mora com sua família, só ele e o pai trabalham. Com essa rotina, ele consegue participar dos treinos apenas uma vez na semana. Binho, lá no fundo, também quer ser um lutador, mas na corda bamba da vida, ele tenta conciliar o apoio ao sustento da família com a vontade de realizar o objetivo do irmão.

"Sonhar a gente sonha, imagina, mas eu trabalho muito. A galera acredita muito em mim, eu também acredito, mas, às vezes, a gente tem que fazer uma escolha do que está mais perto. Eu tenho que trabalhar, não posso largar o meu emprego para me dedicar só a isso. Eu dou força e apoio ao Rian porque eu acredito nele enquanto ele está novo. Não que eu esteja velho, 20 anos também é pouco e eu também tenho muita coisa pela frente, mas eu acredito mais nele do que em mim. Eu quero que ele chegue lá. Minha motivação para continuar vindo, mesmo que seja só um dia na semana, é ele", conta Binho.

E apostar no irmão não é um tiro no escuro. Rian só tem 16 anos, mas já venceu as duas lutas que participou. Ele conheceu a arte marcial tailandesa através de um amigo, há dois anos, e agora pensa em se tornar um lutador profissional.



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