Geral

Em 5 anos, salário de PMs de AL aumentou mais de 90%


Redação
Fonte: Jornal de Alagoas

17/04/2018 19h22

Com um poder de pressão inquestionável, os Policiais Militares de Alagoas conseguiram “dobrar” o ex-governador Teotônio Vilela e o atual, Renan Filho - literalmente. Um levantamento no Portal da Transparência do Estado aponta que nos últimos 5 anos e oito meses, os reajustes salariais para a categoria ficaram acima de 90%, em média. Em alguns casos, passaram dos 111%.Nesse período a inflação acumulada pelo IPCA chega a cerca de 35%.

Somente no atual governo (Renan Filho), a folha salarial dos militares alagoanos – ativos, inativos e pensionistas – teve um aumento de 50,6%, saltando de R$ 850 milhões para R$ 1,3 bilhão ao ano no período. As informações são da Secretaria de Planejamento e Gestão. Segundo o secretário Fabrício Marques , para efeito de comparação, “a folha de outras categorias subiu apenas 21%”

Qualquer pessoa pode fazer o levantamento. Os dados são abertos e estão disponíveis no endereço

http://transparencia.al.gov.br/pessoal/servidores-ativos/. Na aba órgãos, basta selecionar Polícia Militar de Alagoas e verificar quanto ganha cada militar ativo. É possível consultar o período entre julho de 2012 e março de 2018. Foi o que fizemos.

O servidor militar na função cabo tinha remuneração de R$ 2.200 em julho de 2012, aumentando para R$ 2.754 em março de 2014, R$ 2.883 em março de 2015, R$ 3.378 em março de 2016, R$ 4.183 em março deste ano.

O militar na função soldado combatente também teve evolução salarial similar. Em ambos os casos, os reajustes somaram 90,18%. Já um segundo sargento, em igual período, teve sua remuneração aumentada de R$ 3.387,52 para R$ 6.056,04, um aumento de quase 80%.

Alguns oficiais tiveram reajuste superior. Um coronel que teve remuneração, em março deste ano de R$ 21.244,30, recebia R$ 9.823,00 em julho de 2012, uma variação de 116,2% no período. Um capitão com remuneração de R$ 15.086,09 em março último, recebia R$ 7.126,69 em julho de 2012, uma reajuste de 111,68%.

No limite

Durante assembleia realizada nesta terça-feira, 17, os militares recusaram proposta de reajuste de 10% apresentada pelo governo e agora querem 29% (leia mais aqui: http://jornaldealagoas.com.br/n17686). O governo diz que não tem como conceder reajuste maior. Segundo o secretário da Fazenda, George Santoro, não há possibilidade de dar reajustes maiores do que a inflação, sob risco de comprometer a capacidade de pagamento do estado e de descumprir acordo assinado entre o governo do Estado e a União, em torno da renegociação da dívida.

Segundo Santoro, se o estado aumentar suas despesas acima da inflação, perderá benefícios de renegociação da dívida que representam mais de R$ 250 milhões somente no ano de 2018. “Se isso ocorrer, Alagoas vai passar a viver situação igual a de outros estados que não conseguem mais nem pagar a folha de pessoal em dia”, explica.

Máximo

O governador Renan Filho (MDB) informou na manhã desta terça-feira (17), antes da assembleia dos militares, que o governo não terá como propor um reajuste salarial maior. Ele informou que 10% de ganho e com a reposição salarial do mesmo período chegam ao máximo das possibilidades financeiras do Executivo.

“O Estado vai fazer aquilo que puder dentro das possibilidades financeiras. A única coisa que não podemos fazer é colocar em risco as finanças estaduais”, afirma Renan Filho. O governador ainda relembrou outras épocas do Estado das quais não pagavam aos seus funcionários em dia, e diz que Alagoas já esteve em piores situações.

Ainda sobre o reajuste do salário dos servidores ele confirmou que a folha salarial dos PMs e Bombeiros, ativos e inativos considera atualmente R$ 1,3 bilhão aos cofres estaduais, isto é, 30% do total dos gastos com pessoal.

A proposta rejeitada pelos militares previa 10% parcelados: 4% em outubro de 2019, 2% em 2020, 2% em 2021 e 2% em 2022 mais IPCA.

Maior salário do Nordeste: veja aqui o levantamento de 2017

http://jornaldealagoas.com.br/geral/5956/2017/02/10/pm-de-alagoas-tem-maior-salario-do-nordeste-revela-pesquisa

 



Compartilhe