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Governo pode decretar lockdown na grande Maceió


Redação
Fonte: Jornal de Alagoas com Blog do Ricardo Mota e Cada Minuto

16/05/2020 00h05

Durante entrevista coletiva on line, nesta sexta-feira (15) o secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre Ayres, antecipou que o governador Renan Filho tem conversas diárias com infectologistas para ver quais as medidas de isolamento social serão adotadas no Estado, a partir de 20 de maio, que deixa de vigorar o atual decreto de situação de emergência.

O governador Renan Filho já antecipou que o decreto será prorrogado e terá medidas mais duras, para tentar reduzir a circulação de pessoas e com isso tentar desacelerar o avanço da Covid-19 em Alagoas.

Entre as medidas que o governo pode adotar está a decretação do lockdown. Fontes do governo asseguram que Renan Filho não descarta a medida. Antes de decidir como será o novo decreto, o governador tem ouvido especialistas e, principalmente, infectologistas. E parte desses profissionais uma medida que o governo poderá adotar: a decretação do lockdown na região metropolitana de Maceió.

Segundo documento publicado no Blog do Ricardo Mota (TNH”), a Sociedade Alagoana de Infectologia recomenda a adoção do lockdown na região Metropolitana de Maceió e atingiria 13 cidades e 1,4 milhão de pessoas ou pouco mais de 40% de toda a população de Alagoas

A medida, considerada “o método mais radical de combate ao surto seria a supressão (ou “lockdown”), que levaria a uma redução de 75% da circulação de pessoas nas cidades e seria ativada toda vez que o número de mortes atingisse um certo patamar semanal, até que o número de mortes semanais caísse, o que levaria algo em torno de um mês, e depende fortemente da capacidade de reorganização dos sistemas de saúde neste período. A liberação de uma circulação irrestrita após este período, no entanto, levaria a um rebote do surto, fazendo com que o gatilho fosse disparado diversas vezes ao longo da epidemia”, diz trecho do documento.

Para sugerir a medida, a Sociedade Alagoana de Infectologia apresentou um estudo da situação epidemiológica de Alagoas e recomendou que outros setores e especialistas também sejam ouvidos. O documento, que é baseando em recomendações do Ministério da Saúde do Brasil e a do Imperial College de Londres, já foi adotada por vários países da Europa e pelos Estados Unidos da América.

Segundo Ricardo Mota, o “texto é, na verdade, uma resposta a uma consulta feita pela Defensoria Pública Estadual, que tem se destacado nas ações que visam a prevenção e o tratamento da covid-19.”

Veja o resumo da recomendação:

-Concluímos a partir das análises acima descritas, que há um possível benefício da aplicação de lockdow na região Metropolitana de Maceió, que compreende 13 municípios. Mas que este seja aplicado pelo menor tempo possível, e que neste intervalo todas as medidas para ajustes de protocolos e fluxos de assistência sejam adotadas, conforme recomendações anteriores desta sociedade.

- Que sejam ajustados disponibilidade de transporte (ambulâncias), ambulatórios especializados para atendimento inicial, unidades para pronto atendimento (UPAs e pelo menos dois prontoatendimentos em hospitais com leitos para covid-19), ampliação de leitos de enfermaria e UTI, emissão diária de relatórios fidedignos de ocupação de leitos, tanto contratualizados pelo SUS quanto privados, que se aperfeiçoe a regulação dos leitos, que se faça diuturna e ininterruptamente o monitoramento in loco da ocupação dos leitos pelas secretarias municipais de saúde.

- Que se intensifique as medidas de biossegurança para profissionais de saúde e que se aplique medidas de triagem sorológica destes profissionais, com a melhor técnica disponível, para detectar aqueles que já foram infectados previamente, e assim se reduza a ociosidade de leitos e déficits de atendimento por falta de recursos humanos, além de escalas de substitutos nos setores essenciais para caso de adoecimento (pronto-atendimentos, UPAs, enfermarias e UTIs, ambulatórios especializados/sentinela de síndrome gripal.

- Outro aspecto de grande relevância, especialmente durante a adoção de medidas mais duras de mitigação da epidemia é a comunicação de risco público clara, ampla e eficaz, para permitir que a população-alvo tome decisões baseada em informações pertinentes à sua comunidade e do ponto de vista pessoal.

-A comunicação eficaz de riscos inclui o compartilhamento oportuno e transparente de todas as informações relevantes, em linguagem clara e acessível à todos, por meio de campanhas publicitárias específicas, além de comunicação rotineira institucional realizada por técnicos, especialistas e gestores, primando pela da construção de confiança e empatia com a população”.

O documento, segundo o jornalista, já foi encaminhado pelo defensor-geral Ricardo Melro ao secretário Estadual de Saúde, Alexandre Ayres, e o titular da pasta na capital, José Thomaz Nonô, para que eles se manifestem sobre o seu teor até a próxima terça-feira.

Veja aqui o Documento da Sociedade Alagoana de Infectologia

 

 



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