Inovação

Avanços no tratamento garantem qualidade de vida a soropositivos


Fonte: Agência Alagoas

03/12/2017 11h20

Desde o início da epidemia da Aids na década de 1980, muitos avanços da medicina já foram registrados na resposta ao vírus HIV. A melhoria no tratamento antirretroviral, por exemplo, garantiu às pessoas, vivendo com a doença, maior qualidade e expectativa de vida.

Prova desta evolução pode ser verificada na quantidade de medicações lançadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso porque, eles resultaram na redução dos efeitos colaterais e, consequentemente, do número de comprimidos que devem ser tomados diariamente.

“Quando do surgimento da doença, as terapias antirretrovirais eram inferiores às atuais, que têm melhores índices na supressão da replicação do vírus. Por isso, as pessoas não devem ter medo de fazerem os testes de detecção e devem orientar os infectados a iniciarem o tratamento com antirretrovirais imediatamente”, explicou a infectologista Mardjane Nunes, que é superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau.

“Como parte dos avanços nessa área, o tratamento oferecido atualmente evoluiu do conhecido ‘coquetel’ – com várias pílulas separadas – para o chamado regime ‘3 em 1’. Isso representa uma tripla combinação de medicamentos em um única pílula, o que facilita a adesão ao tratamento”, destacou.

Estatísticas

Em Alagoas, de janeiro a junho deste ano, 442 pessoas foram detectadas com HIV e 202 com Aids. A faixa etária mais prevalente é entre 20 a 39 anos, sendo os homens mais propensos quando comparados às mulheres. Ao todo, 5.052 pacientes estão em tratamento antirretroviral, testados positivamente para o HIV.

Desde 2013, o Ministério da Saúde (MS), através do SUS, oferece tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independente da contagem de células CD4, que defendem nosso organismo de doenças. Graças a essa estratégia, o Brasil tem hoje uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral entre os países de baixa e média renda, com 64% das pessoas vivendo com HIV recebendo o tratamento.

Já a média global, em 2015, era de 46% – de acordo com dados compilados pelo Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids). Conforme a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, a população alagoana não está resistente ao uso do preservativo, mas sim, de não conseguir, ainda, se enxergar como vulnerável ao HIV.

“Atualmente, fala-se em comportamento de risco e não mais em grupo de risco, pois o vírus passou a se espalhar de forma geral, não mais se concentrando apenas nesses grupos específicos. Um exemplo disso é que o número de heterossexuais contaminados por HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia nos últimos anos, principalmente entre homens”, destacou.

HIV e Aids

A epidemia de Aids já pode ser considerada praticamente uma quarentona desde a descoberta do primeiro caso no mundo. Mas, muitas pessoas, ainda desconhecem alguns de seus termos básicos, como, por exemplo, a diferença entre HIV e Aids.

Segundo Mardjane Nunes, o HIV é um vírus que, ao longo do tempo, pode levar à Aids. Portanto, é importante ter em mente que, hoje em dia, com a evolução do tratamento, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a Aids.

“Mas, ao contrário de outros vírus, o corpo humano não consegue se livrar do HIV. Ou seja, ainda não existe uma cura para esse tipo de infecção. Isso significa que uma vez que você contrai o HIV, você viverá com o vírus para sempre”, frisou.  

Formas de transmissão

Ainda de acordo com ela, a transmissão do HIV se dá por meio da troca de fluidos corporais como, por exemplo, sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno. Fluidos como suor, saliva, lágrimas e fezes são considerados não infectantes.

Isso significa que a transmissão do vírus não acontece por meio de interações comuns do dia a dia, como abraçar, beijar, praticar esportes, dividir objetos, ou até mesmo alimentos. “Essa informação é importante para que consigamos acabar com estigmas associados às pessoas que vivem com HIV e com a discriminação”, orientou.

Prevenção combinada

No início da epidemia, o preservativo ainda era visto como a única opção disponível. A camisinha – tanto masculina quanto feminina – continuam como o método mais acessível para a população em geral.

Mas as camisinhas masculina e feminina não devem ser uma opção somente para quem não se infectou com o HIV. Além de evitar a transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), que podem prejudicar ainda mais o sistema imunológico, elas previnem contra a reinfecção pelo HIV, o que pode agravar ainda mais a saúde da pessoa.

De acordo com Mardjane Nunes, o preservativo feminino nunca deve ser usado ao mesmo tempo com o preservativo masculino, sempre deve ser usado um único preservativo por vez. Além disso, ela recomendou a utilização do gel lubrificante à base de água como forma de reduzir o atrito em uma relação anal ou vaginal, diminuindo, assim, as chances de fissuras e contato com o sangue. Os preservativos masculinos e femininos e o gel lubrificante à base de água são distribuídos gratuitamente em todos os postos de saúde do Estado de Alagoas.



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