Negócios

Com arrendamento da Guaxuma indefinido, Justiça de AL adia projeto de 2 mil empregos


Edivaldo Junior
Fonte: www.edivaldojunior.com.br

22/12/2017 08h27

Em menos de dois meses, os juízes responsáveis pelo processo de falência da Laginha Agroindustrial SA conseguiram aprovar a alienação (venda) de duas usinas e de bens móveis e imóveis da massa falida.

Apesar de diferentes questionamentos, as usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, ambas localizadas em Minas Gerais, foram vendidas em leilões pela Internet com deságio de até 40%.

Alguns credores não entendem, no entanto a demora da Justiça em definir o arrendamento da Usina Guaxuma. O processo se arrasta há quase dois anos.

A demora na decisão adia a geração de pelo menos dois mil empregos diretos, que seriam ou serão gerados com a retomada da produção na usina. A expectativa era que uma definição fosse tomada até este mês.

O judiciário de Alagoas, no entanto, entrou em recesso, nessa quarta-feira, 20, sem uma decisão acerca das propostas de arrendamento da Usina Guaxuma.

Atualmente dois grupos disputam o arrendamento da unidade – a Usina Coruripe e um consórcio formado pela Cooperativa Pindorama, Cooplansul e Asplana. Ao menos um grupo que havia apresentado proposta no ano passado, a Granbio, saiu da disputa alegando que a demora na decisão inviabilizou o investimento.

Os juízes José Eduardo Nobre, Carlos Leandro de Castro Folly e Marcella Waleska Costa Pontes de Mendonça, responsáveis pelo processo da Laginha acenaram com a possibilidade de homologação do arrendamento ainda este ano. Até o momento, no entanto, nenhuma decisão foi anunciada publicamente.

Adiando a geração de empregos

As duas usinas vendidas em Minas Gerais devem começar a operar já a partir do próximo ano, gerando emprego e renda para os mineiros. Em Alagoas, a demora da Justiça vem adiando a criação de cerca de 2 mil empregos que poderiam ser gerados imediatamente com a reativação da Guaxuma. Na primeira fase, as oportunidades de trabalho seriam geradas principalmente no campo.

A usina

Considerada uma das mais modernas usinas do Nordeste, a Guaxuma, localizada em Coruripe, continua fora de combate. Integrante da massa falida da Laginha Agroindustrial SA, a indústria parou de moer há cinco anos, causando problemas sociais e econômicos em toda a região sul de Alagoas.

Com capacidade de moagem da ordem de 1,8 milhão de toneladas por safra, uma área de mais de 12 mil hectares de terras produtivas, a Guaxuma poderia ter retomado a produção a partir desta safra. Não voltou, ao que se sabe, porque a Justiça (Comarca de Coruripe) ainda não homologou nenhuma das propostas de arrendamento apresentadas até agora – algumas delas apresentadas há mais de um ano.

Propostas

Os projetos de arrendamento, ao que se sabem, tem diferenças significativas. A Coruripe prevê o plantio, segundo informações do advogado de um grupo de credores, de até 6,5 mil hectares de cana e operação da indústria.

O projeto apresentado por Klécio Santos (presidente da Cooperativa Pindorama), Alfredo Raildo (presidente da Cooplansul) e Edgar Filho (presidente da Asplana) aos juízes do processo e ao administrador judicial da massa falida da Laginha Agroindustrial, os representantes da Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda prevê a produção e a industrialização de 10,5 mil hectares de cana, com garantias de distribuição de renda e inclusão social. O projeto contempla, inclusive sem terra que ocuparam terras pertencentes à usina.

A proposta apresentada pelo consórcio, segundo os seus idealizadores, tem capacidade de gerar de 1,5 mil a 2 mil empregos diretos num primeiro momento. A geração de empregos deve crescer depois que a moagem for retomada na usina, o que deverá acontecer após o plantio de cana nas terras da indústria.



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