Política

Téo Vilela entra em “rota de colisão” com Renan Filho


Fonte: Edivaldo Júnior

25/11/2017 09h36

Entregar a presidência do PSDB a Rui Palmeira foi dado, nos bastidores, como um gesto do ex-governador Téo Vilela para acabar com os boatos de que estaria alimentando uma aliança branca com o governador Renan Filho e o senador Renan Calheiros – ambos do PMDB.

Oficialmente, a versão é de Rui Palmeira assumiu o comando do PSDB para viabilizar uma eventual candidatura de oposição ao governo.

Seja como for, a relação entre Téo e RF parece ter azedado. Nesse caso, são os “gestos” de ambos que falam mais alto.

Se Téo Vilela deu o “palanque” a Rui Palmeira, Renan Filho cuidou de esvaziar o PSDB. Literalmente.

Dos 17 prefeitos eleitos pelo partido em Alagoas em 2016, o PSDB “cedeu”, somente nos últimos oito meses, 8 para a base de Renan Filho.

A debandada, começou os Pereira, em Março deste ano e culminou, na última semana com a migração de um Vilela para a base de RF.

Trata-se do prefeito Henrique Vilela (Porto de Pedras), primo de Téo, que deixou o ninho tucano e se filiou ao PMDB. O ex-governador manteve até então absoluto “silêncio”. Depois disso, fez chegar sua insatisfação aos ouvidos do governador.

Téo Vilela vive aparentemente um momento ruim nas relações com seu sucessor. No começo desta semana, Renan Filho aproveitou encontro com jornalistas para cutucar o “governo passado”. O atual governador diz que o empréstimo de R$ 2 bilhões tomado no governo anterior acabou agravando a saúde financeira do Estado.

Além do problema financeiro, Renan Filho também questionou a utilização dos R$ 2 bilhões. Com o dinheiro, segundo o governador, o estado deveria rer feitos investimentos importantes na saúde, educação infraestrutura…. “poderia ter sido duplicada a rodovia de São Miguel dos Campos a Arapiraca, que custaria pouco mais de R$ 100 milhões. Mas não fizeram e agora vamos fazer”, disse Renan Filho.

Mesmo sem citar o nome de Téo Vilela, Renan Filho parece trabalhar para demarcar um território político e ideológico, preparando um discurso que o diferencia da oposição.

O discurso do governador também afasta a tal da “aliança branca”. Em outras palavras, a briga com Vilela e todo o grupo de Rui Palmeira é pra valer.

Quanto a Téo, não esperem dele nenhuma declaração pelos próximos dias. Paciente, ele ganha tempo. Sua decisão de disputar ou não o Senado só deverá ser anunciada a partir de janeiro de 2018. Até lá, ele estuda alternativas. Entre as quais a de apresentar um nome “novo” para senador pelo PSDB.

Cenário complexo

O cenário, no atual momento, não é dos mais favoráveis para Téo Vilela. Ao menos se ele pretende disputar o Senado. Além da perda de bases do PSDB para o PMDB, ele enfrenta uma pressão crescente do grupo do senador Benedito de Lira (PP) e pode sofrer a mesma pressão do grupo do deputado federal e ministro dos Transportes.

Isso porque Maurício Quintella já sinalizou que também pretende disputar o Senado, assim como Biu de Lira.

Ainda em busca de um candidato ao governo, o grupo que se reúne hoje em torno do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, promete formar um palanque forte. Mas a chapa majoritária só tem vaga para um candidato a governador e dois ao Senado. Mantidas as intenções de Téo, Biu e Maurício, um dos três terá de ficar fora.



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