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Política

Aumento da importação de etanol prejudica Nordeste


Fonte: Blog do Edivaldo Junior

02/09/2019 16h53

O governo federal aumentou de 600 milhões para 750 milhões de litros a cota para importações anuais de etanol sem tarifa. A medida vigorará por 12 meses, segundo publicação no Diário Oficial da União no final de semana.

O aumento da importação de etanol afeta principalmente as usinas do Nordeste, que estão começando uma nova safra.

A operação de importação é feita a partir do Maranhão por grandes distribuidores do Sudeste do país e abastece principalmente o mercado nordestino.

O presidente da Associação de Produtores de Açúcar e Bioenergia (Novabio), que representa 35 usinas e os Sindicatos da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco e de Alagoas, Renato Cunha diz que produtores nordestinos vão cobrar compensações do governo federal.

“Esta medida do governo federal foi muito mal recebida no Nordeste, não questão do etanol, mostrando uma desconsideração com setor estratégico para a economia nordestina”, aponta.

O novo volume autorizado pelo governo federal representa cerca de 27% da produção nordestina. “Caso continue assim haverá uma renúncia fiscal por parte do Ministério da Economia, que estimamos da ordem de R$ 270 milhões a preços atuais, e que é incoerente, incongruente e injusto com os esforços que a nação brasileira faz”, afirma.

Buscando uma contrapartida, representantes do setor sucroalcooleiro de Alagoas e Pernambuco estarão reunidos em Brasília na próxima quarta-feira, 4, com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. No encontro técnico, deverão ser tratados mecanismos de compensação.

O presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, reforça a preocupação: “a importação representa poderia até ser aceitável, desde que ocorresse apenas no período de entressafra, quando existe necessidade de complementação de etanol  na região. Mas no momento safra, como agora, a importação impacta negativamente afetando principalmente a remuneração do produtor”, aponta.

De acordo com Pedro Robério, entre as medidas compensatórias que serão apresentadas na reunião com a ministra Tereza Cristina está a possibilidade de liberar a importação do etanol apenas para a região centro-sul: “lá o volume a ser importado representa apenas 3% da produção, enquanto no Nordeste representa quase 30% de nossa produção”, aponta.

Saiba mais:

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