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Política

Acordo com Trump prejudica usinas em Alagoas e beneficia empresas nos EUA


Fonte: Blog do Edivaldo Junior

04/09/2019 09h27

O governo brasileiro aumentou a cota de importação de etanol de milho dos Estados Unidos de 600 milhões para 750 milhões de litros a partir desta semana.

A medida agrava a crise no setor sucroalcooleiro do Nordeste, que está começando uma nova safra, e alivia pequenas refinarias americanas.

A medida foi condenada por representantes de produtores nordestinos. O aumento da importação sem impostos afeta principalmente o setor sucroalcooleiro do Nordeste, que responde pela geração de mais de 300 mil empregos e está em plena safra.

A importação é feita, principalmente, a partir do Maranhão, o que afeta ainda mais a indústria nordestina.

Segundo dirigentes do setor em Alagoas, a importação afeta a comercialização de etanol, pressionando os preços e deve atingir diretamente mais de 20 mil fornecedores de cana.

No Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou a nova medida do governo de Jair Bolsonaro.

Para Trump, a medida está trazendo “grandes progressos para agricultores”. “Será ainda melhor para o etanol e nós vamos salvar as nossas pequenas refinarias”, disse no Twitter.

O senador Renan Calheiros (MDB) Alagoas condenou o aumento da cota de importação de etanol sem nenhuma taxação (com imposto zero). O etanol extra cota paga 20% de taxas.

“Como representante de Alagoas, o sétimo produtor de etanol quero expressar a minha inconformidade com a incompreensível e inexplicada subserviência brasileira quanto ao etanol”, disse.

A medida, reforça Renan, afeta as empresas brasileiras: “O governo brasileiro elevou para 750 milhões de litros a cota para importações anuais de etanol sem tarifa, pasmem, que irá vigorar por 12 meses. Óbvia a reação. Trump salva suas pequenas refinarias e nós condenamos as nossas”.

Na avaliação do senador, o Brasil vai ajudar a amenizar problemas internos dos EUA: “A guerra comercial com a China criou dificuldades de exportação para os produtores do meio oeste, uma base politica relevante para as pretensões da reeleição de Trump”.

O senador cobrou explicações do governo brasileiro: “Os conceitos de soberania tão fartamente usados contra o G7 ficam completamente deslocados. Eu vou encaminhar a Vossa Excelência um pedido de informações aos ministérios da Economia, Agricultura e ao Itamaraty sobre as razões da medida, as atas de reuniões e termos técnicos preparatórios que as justificam”, afirmou.



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