Política

Marcelo Beltrão ‘rompe’ com Marx e provoca crise no MDB

Por Redação com Jornal de Alagoas 09/03/2020 15h03
Marcelo Beltrão ‘rompe’ com Marx e provoca crise no MDB

Em meio a uma disputa familiar, o MDB de Coruripe se tornou o centro de uma crise sem precedentes na história recente do partido em Alagoas e que deverá ser resolvida pela Justiça Eleitoral. Um processo que tramita no TRE de Alagoas será decisivo para manter ou tirar da disputa à prefeitura do município o deputado estadual Marcelo Beltrão.

Primos, o deputado federal Marx Beltrão (PSD) e Marcelo Beltrão (MDB) não chegaram a um entendimento sobre espaços políticos na região sul de Alagoas. As divergências começaram nas eleições de 2018, quando a poderosa família Beltrão se dividiu entre dois candidatos a estadual. Além de Marcelo, o outro também eleito foi Yvan Beltrão (PSD).

Sem entendimento, Marcelo, que é irmão do prefeito de Penedo, Marcius Beltrão (PDT), anunciou que poderia ser candidato a prefeito de Coruripe nas eleições deste ano. O prefeito do município, o maior da região, é Joaquim Beltrão (MDB), pai de Yvan Beltrão.

Em resposta, Marx anunciou também no ano passado o irmão dele, Maykon Beltrão, como pré-candidato a prefeito em Coruripe. Maykon já foi prefeito de outra cidade da região (Feliz Deserto), mesma condição de Marcelo (Jequiá da Praia).

Ainda em setembro de 2019, Maykon, que era do PSD, se filiou ao MDB, mesmo partido de Marcelo. Agora só um dos dois poderá ser candidato pelo partido.

Marcelo, no entanto, não tem a opção de mudar de legenda. Se deixar o MDB, em função da legislação da fidelidade corre risco de perder o mandato. Esse é o epicentro da crise no partido.

Alegando que legenda do MDB seria assegurada de ‘forma cartorial’ para o primo Maykon, Marcelo entrou com um processo no TRE pedindo o reconhecimento de “Justa Causa” para desfiliação partidária. Se aceita a tese, ele poderá se filiar a outro partido (provavelmente o PDT) para concorrer a prefeito.

A crise

Dois documentos do MDB figuram no processo. Um do secretário-geral do partido, Ricardo Santa Ritta e outro do presidente do diretório estadual, senador Renan Calheiros. No primeiro, Ricardo informa que a decisão será ‘cartorial’, no outro, Renan nega qualquer preferência partidária e classifica a declaração do secretário-geral como “falsa assertiva”.

O processo (uma petição eletrônica) está agora em segredo de justiça. Mas a petição foi publicada pelo jornalista Wadson Régis.

Veja qui a petição

Em documento oficial do MDB, Renan Calheiros esclarece que Santa Ritta não tem atribuição responder a consulta e que não houve deliberação antecipada a favor de qualquer nome (veja a carta abaixo).

No link a seguir é possível acessar todo o processo, inclusive a declaração de Ricardo, que resume: “o diretório municipal já comunicou à este diretório estadual que a convenção será cartorial em prol da pré-candidatura do Sr. Maykon Beltrão, pois já deliberado antecipadamente que ele será o filiado lançado como candidato do MDB naquela cidade.”

https://drive.google.com/file/d/1eEWMB7YbculJav9am_QdltGpMDpMiPW_/view

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