Pop & Arte

Artesanato produzido no sistema prisional é destaque pela beleza e valor social


Fonte: Agência Alagoas

04/01/2018 10h53

O artesanato é uma expressão cultural que carrega em suas peças traços de um povo. No sistema prisional, a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) tem fortalecido este trabalho através da Fábrica de Esperança. O projeto, iniciado em 2006, conta com cinco oficinas profissionalizantes, que possibilita um novo caminho as reeducandas do sistema prisional alagoano.

Peças em marcenaria, filé, pintura, decoupagem e tornearia são produzidas diariamente pelas mãos habilidosas das 18 reeducandas inseridas na Fábrica de Artesanato. Os produtos são expostos e vendidos em dois pontos fixos: Rua Fechada, na Ponta Verde, aos domingos, e no Box 09, no Mercado de Artesanato Margarida Gonçalves, no Parque Ceci Cunha. O dinheiro arrecadado com as vendas é destinado para o Fundo Penitenciário e revertido me melhorias para o sistema prisional.

A agente penitenciária e supervisora de Produção e Laborterapia, Alessandra Cavalcante, lembra que o trabalho é uma importante ferramenta ressocializadora. “Toda a oportunidade de trabalho nos presídios funciona como um elemento ressocializador, já que são preparados para o mercado de trabalho após o cumprimento de sua pena”, disse.

A agente ressalta ainda o diferencial do trabalho artesanal. “No artesanato, em especial, as reeducandas além de receberem as instruções e aprender a arte, elas saem com a carteirinha de artesã. O que as habilita a trabalhar de forma profissional”, completa Cavalcante.

Exposições

2017 foi movimentado para a Fábrica de Esperança. Ao longo do ano, os produtos artesanais foram expostos em feiras de diferentes cidades, como: Brasília, Recife, Campo Grande e Belo Horizonte, além das exposições em órgãos públicos e eventos.

O destaque fica por conta da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), realizada em julho, em Olinda. Em sua 18ª edição, a maior feira de artesanato da América Latina reuniu, aproximadamente, cinco mil expositores, de 34 países e oito etnias indígenas. Entre eles estavam o stand da Fábrica de Esperança.

A Seris levou peças em madeira com aplicações de filé, técnicas ensinadas nas oficinas. Durante os 11 dias de evento foram vendidas 287 peças, totalizando uma arrecadação de mais de R$ 4 mil.

Capacitação profissional

Diferentes cursos e capacitações foram ministradas para as apenadas e instrutores, visando o aprimoramento das técnicas de artesanato, desde a base conceitual do artesanato brasileiro até a precificação de peças.

Graças a Lei 13.180, sancionada em outubro de 2015, as pessoas que atuam na área passaram a ter direito a carteira nacional do artesão, linhas de crédito especial para o financiamento da comercialização da produção artesanal e aquisição de matéria-prima, além da qualificação profissional.

“Cada vez mais estamos divulgando e levando ao conhecimento de todos esse trabalho realizado dentro do sistema prisional alagoano. Em Recife, por exemplo, além de todo o sucesso da exposição, ainda conseguimos uma grande parceria com a loja nacional Tok Stok. Uma conquista que nos motiva ainda mais para trabalhar com amor e alegria!”, comenta a coordenadora das Oficinas do artesanato, Cilene Batista.



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