Pop & Arte

Complexo Teatro Deodoro recebe exposição – Nonada. nesta quinta (10)


Fonte: Agência Alagoas

09/05/2018 08h19

O Complexo Cultural Teatro Deodoro está pronto para expor ao público mais uma exposição: –Nonada., da artista Juliana Pessoa, será aberta nesta quinta-feira (10), às 19h. A entrada é gratuita.

A mostra fica em cartaz até 30 de junho e pode ser visitada de segunda a sábado, das 8h às 18h, às quartas, das 8h às 20h, e, aos domingos e feriados, das 14h às 17h. Grupos de escolas e instituições devem agendar visita guiada pelo telefone (82) 98884-6885 ou pelo e-mail escolasditeal@gmail.com.

–Nonada. apresenta cerca de 60 desenhos feitos à mão com carvão, grafite, giz, pigmentos secos, argila, pólvora, papel e lixa em um papel simples. A curadoria é do professor da Universidade do Espírito Santo, Fernando Pessoa.

Juliana Pessoa possui graduação em Artes e mestrado em Filosofia, ambos pela UFES. Ela já realizou diversas exposições coletivas e individuais, dentre elas, Oba: entre deuses e homens, no Museu Capixaba do Negro, onde também organizou o seminário Nagôs e bantus: entre deuses e homens. Este ano, foi selecionada para expor na Semana da Cultura Brasileira, que ocorrerá em outubro, na cidade de Sófia, Bulgária; e na galeria de arte da UFF, no Rio de Janeiro, em dezembro.

“Eu fiz faculdade de Artes Plásticas na Federal do Espírito Santo e, desde então, sempre tive um chamado para o desenho por conta da simplicidade, do imediato, da relação com o papel e tem uns três anos que isso começou a se reverter em exposições, editais, galerias e cursos”, conta a artista Juliana Pessoa.

“–Nonada. surgiu a partir da leitura de uma série de obras, como Grande Sertão Veredas, inclusive a palavra Nonada é recorrente no romance do Guimarães Rosa, e também Os Sertões, O Quinze, A Pedra do Reino, vários autores nordestinos. A palavra Nonada indica uma coisa pobre, pequena, sem valor e, o interessante é que, muitas vezes, essas coisas têm muito mais valor do que a gente realmente considera. A palavra busca uma conversa com essa questão da coisa que é pobre, indigente, precária, mas que tem um potencial de reflexão, de criação, de vigor muito grande”, explica Juliana.

“A exposição trabalha com uma série de fotografias do cangaço, de canudos, massacre de Belo Monte e de vários fotógrafos que percorreram regiões onde ocorreram essas batalhas. Todas essas pessoas se caracterizam pela exclusão, pela pobreza, por aquela coisa: manda matar, nem é cidadão, nem considero como brasileiro, tem que exterminar e esse pensamento é muito recorrente na nossa sociedade, e, quando você vai ao encontro dessa população, dessa história, você descobre coisas muito interessantes e se pergunta: que potência é essa? Que força é essa que fez com que cerca de 25 mil pessoas se juntassem no interior da Bahia e construíssem uma das maiores cidade s que tinham na época? E você vai aprendendo, descobrindo coisas que surpreendem. Então, a exposição é um emaranhado, tem um pouco de literatura, de história, de fotografia e esse caldeirão se transformou em uma série de desenhos”, revela a artista.

“Estou feliz porque queria muito trazer a exposição para o nordeste e Alagoas tem tudo a ver com a exposição. Acredito que o público vai se encontrar aqui. Graciliano Ramos, com Vidas Secas, foi mais uma inspiração. É uma honra, uma grande felicidade estar aqui, adorei Maceió, quero conhecer mais a cidade, e o Quilombo dos Palmares, o Sertão”, falou.

O objetivo da exposição é também contribuir com a educação dos estudantes que visitarem a mostra. Foi preparado um material específico para as escolas, como exercícios, perguntas e sugestões, para que os professores trabalhem a exposição em sala de aula e para que, segundo a artista, os alunos possam “materializar a experiência, destravar o olhar e o pensamento e que consigam criar uma conexão entre imagem, olho, pensamento, experiência, sentimento...”.

No sábado (12), das 10h30 às 12h, haverá o encontro Sertão: a terra, o homem, a luta com palestras dos professores Célia Nonata e o Pedro Vasconcelos. O tema é: uma reflexão sobre os principais fenômenos históricos que motivaram a produção dessa exposição: o massacre de Belo Monte e o ciclo do cangaço, no Complexo Cultural Teatro Deodoro.

Também no sábado, no Complexo Cultural Teatro Deodoro, das 13h às 14h, ocorrerá o encontro Sertão: em palavras e imagens, com as artistas Juliana Pessoa e Alice Barros, cujo intuito é promover uma discussão sobre o imaginário do sertão e do sertanejo e apresentar o eixo curatorial da exposição.

Será feito ainda um concurso de crítica literária para os estudantes. Eles vão concorrer a três prêmios: de seis a 12 anos, de 13 a 18 e de 18 para cima. Será selecionado um texto de cada categoria dessa e o vencedor vai ganhar uma obra da artista Juliana Pessoa. Os textos podem ser enviados para exposicaononada@gmail.com. A ideia é provocar um diálogo entre imagem e palavra, desenho e literatura.

“Acho interessante o conceito da exposição que ultrapassa as artes plásticas e pensa a arte no sentido macro, que envolve pensamento, imagem, palavra, reflexão, educação, de explorar o tema –Nonada. em vários aspectos, várias possibilidades. Não fica uma coisa só de belas artes, tem o papel educativo, reflexivo, de fazer pensar. Acho interessante também valorizar aquilo que é próprio do brasileiro porque a gente tem um desprezo muito grande pelas nossas identidades, a exposição faz esse resgate da cultura brasileira e com orgulho”, afirmou o professor e curador, Fernando Pessoa.

A exposição –Nonada. foi selecionada por meio de edital aberto pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas, Diteal, para ocupar a galeria de arte do Complexo Cultural Teatro Deodoro. “O trabalho da artista Juliana Pessoa chamou atenção da comissão que avaliou os trabalhos pela técnica utilizada, pela temática abordada e pelos desenhos em si. Estamos muito satisfeitos com a chegada dessa exposição e convidamos o público para que visite a mostra”, acrescentou a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.



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