Pop & Arte

Conheça a produção de mangás e pesquisas de estudantes de Design


Fonte: Ascom UFAL

04/08/2018 11h42

O curso de Design da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tem sido terreno fértil para o desenvolvimento de produções e pesquisas, em especial, em um núcleo composto pelas estudantes Janaína Araújo, Gabriela Santos, Gabriela Melo e Mariana Petrovana do Laboratório de Experimentação em Design (LED). Além de produzir mangás, o grupo desenvolve diversas pesquisas sobre histórias em quadrinho com características do mangá e jogos.

Janaína Araújo e Mariana Petrovana participam de pesquisas e projetos com o professor Amaro Braga, do Instituto de Ciência Sociais (ICS) da Ufal, desde 2010, antes mesmo de ingressar no curso de Design. Durante essa experiência as alunas trabalharam na construção da história Preto que nem carvão, publicada em 2012.

As quatro estudantes ainda são sócias do Studio Pau-Brasil, onde desenvolveram diversas obras como Minha rosa minha flor, O cara lá de cima, Cachecol de lã e Assombrações. Todas premiadas ou campeãs em editais para publicação. As alunas também estiveram presentes na 3ª edição da revista Picles Humor Ardido com as histórias A blogueira e A sonhadora.

Em 2014, foram selecionadas no edital de exposições temporárias do Museu Théo Brandão onde transformaram a história Assombrações na exposição As 50 histórias que minha avó contava, que ficou em atividade por três meses. Os quadros traziam desenhos de lendas tradicionais do imaginário alagoano, organizados em sequência, criando uma narrativa que se concluía com a obra principal exposta, um cortejo das assombrações guiadas pela luz de um candeeiro, com aproximadamente dois metros de largura.

A obra principal mesclava as assombrações contidas no imaginário alagoano, com a história japonesa do Cortejo de Youkais, aproximando ainda mais a narrativa contada da estética do gênero narrativo japonês. 

Mangá na vera e regionalismo

A preocupação com o regionalismo, em inserir a cultura alagoana em suas histórias é nítida nos quadrinhos produzidos pelo grupo. Um exemplo disso é a história Preto que nem carvão, voltada para o público infanto-juvenil, que conta a história de irmãos gêmeos residentes em Maceió, próximo a feirinha do Tabuleiro.

As estudantes explicam que foi feito um trabalho de análise para que a narrativa fosse o mais próxima possível da realidade. “Conforme a gente ia fazendo as orientações, o professor sempre salientava que a gente deveria enfatizar o máximo possível a cidade de Maceió”, disse Janaina.

A história teve quatro capítulos e dois deles foram premiados: O primeiroo ganhou um concurso da editora Graciliano Ramos, na Coletânea Alagoas Sequencial, em 2011, e o segundo recebeu o Prêmio José Irineu Guimarães, na categoria infantil. O volume com os quatro capítulos foi lançado na 3ª jornada Internacional de História em Quadrinhos, na Universidade de São Paulo (USP).

A efetivação desse compromisso pode ser visto na publicação Mangá na vera!, a primeira coletânea Alagoana feita com as obras desenvolvidas pelos alunos do curso de desenho oferecido pelo Studio Pau-Brasil. A obra foi lançada em Belo Horizonte e Alagoas. “Como publicação é importante não só por ser regionalista, mas a gente pega os meninos que são muito jovens, inseguros, no ensino médio, que acham que nunca vão conseguir fazer uma história em quadrinhos e a gente coloca para trabalhar e lança isso… Você não vai ficar só na parte teórica, vai produzir, fazer um quadrinho. A gente quer estimular uma autoestima dos alunos de que um quadrinho não é uma coisa impossível”, reforçou Mariana Petrovana. 

Pesquisas

Além dos prêmios e editais ontemplados pelas histórias do estúdio, as estudantes ainda contam com diversos trabalhos apresentados em encontros e eventos. A transição entre a produção e a pesquisa se deu por volta de três anos atrás. “Até então nós produzimos muito nos nossos projetos de extensão, mas não necessariamente pesquisávamos profundamente. A nossa produção de artigos ficou mais intensa de 2015 em diante, quando tivemos contato com esses congressos internacionais, foi quando deixamos de participar tanto de concursos e passamos a fazer mais colaborações e investir tempo na produção de artigos do que produzimos e de outras mídias, principalmente a mídia de mangá”, lembrou Mariana.

Agora as estudantes participam de dois grupos de pesquisa: O Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (Lacc) e do  Laboratório de Experimentação em Design (LED). “O design que a gente trabalha [no LED] não é apenas o gráfico. É o design estratégico, editorial. Essa parte mercadológica principalmente. Nós vemos essas estratégias e como elas estão sendo aplicadas nesses materiais de estudo. No Lacc a gente trabalha mais com a sociedade mesmo”, disse.

As alunas desenvolveram diversas pesquisas sobre mangás, alguns independentes, outros tradicionais e mais mercadológicos. Janaina destaca a análise do quadrinho Fábulas, publicado na revista Imaginário, que também publicou o artigo do grupo A interdiscursividade em Saint Seiya Lost Canvas. Já Mariana destaca o artigo aprovado no Congresso Internacional de Design sobre Shingeki no Kyojin (Ataque dos Titãs) e os múltiplos universos. É possível acompanhar mais sobre as pesquisas e artigos desenvolvidos na plataforma lattes das integrantes (Mariana, Janaína e Gabriela) ou no site do Studio Pau-Brasil.

Atualmente elas estão desenvolvendo seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). As alunas esperam que nos próximos semestres os grupos de pesquisa sejam renovados com novos alunos interessados no assunto.



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