Pop & Arte

O Teatro Deodoro: os caminhos para o principal palco do estado


FRANKLIN LESSA

15/11/2018 17h11

Ocasionalmente presenciamos campanhas em diversas mídias com a finalidade da promoção de incentivo ao consumo de atividades culturais a partir de sua popularização. A preocupação de uma parcela de governantes e população com o esquecimento do teatro; dança; música e outras manifestações culturais, não é uma questão exclusiva do nosso século. Há 107 anos, era inaugurado em Maceió, o Teatro Deodoro com o intuito de materializar o sonho de progresso artístico vivido naquela época, possibilitando mais visibilidade e relevância ao cenário cultural alagoano.

O Teatro Deodoro é um patrimônio público do estado. O prédio tombado mantém a arquitetura da época em que foi construído, se tornando uma referência já pela historicidade. Além disso, mesmo após um século, o Teatro tem um calendário intenso de atividades e um projeto que é uma das maiores referências culturais do estado, o “Teatro Deodoro é o Maior Barato.”

 

Na sua 19ª edição, o projeto “Teatro é o Maior Barato”, trará a partir do dia 23 de Maio, espetáculos alagoanos, visando na valorização da produção local e na facilidade de acesso do público às apresentações, contribuindo assim com a formação de plateia no estado.  Através desse programa, qualquer artista da terra tem a oportunidade de levar sua arte para o palco do Deodoro. “A Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) abre edital, anualmente, para as inscrições das propostas. Em seguida, é feita análise dos documentos pela coordenação jurídica para habilitação dos projetos. As propostas habilitadas são avaliadas pela comissão que analisa itens como excelência artística e potencial de formação de plateia”, explica a assessora de imprensa do Teatro Deodoro, Hanna Copertino.

 

Sendo um lugar transitado por grandes companhias teatrais; atores e nomes renomados da música e dança, o Teatro recebe inúmeras manifestações culturais, além de programas que abraçam a sociedade, proporcionando uma rica experiência cultural para a população. “Nós temos espetáculos que desenvolvem o projeto escola com sessões direcionadas a estudantes, temos os ingressos gratuitos para alunos da rede pública de ensino em todas as apresentações e, além disso, apoiamos artistas da terra com projetos como o “Teatro Deodoro é o Maior Barato” e cedendo espaço, quando somos procurados neste sentido”, explica Hannah.

 

Projetos como esses mostram sua importância, quando consideramos alguns números. Segundo um levantamento feito em 2014 pelo Sesc e pela Fundação Perseu Abramo, 6 em cada dez brasileiros nunca assistiram a uma peça teatral. O estudo ouviu 2,4 mil entrevistados em 25 estados. Mesmo nesse cenário, no ano passado, foi recebido mais de 7 mil pessoas nas 24 apresentações da 18ª edição do “Teatro é o maior barato”. No geral, o Teatro apresentou 137 espetáculos, um público de 62 mil pessoas em 2017 e uma taxa de ocupação de 75%.

 

Depender da arte é uma dificuldade vivida por muitos artistas do nosso país, e pensando na perspectiva local, Maceió também apresenta dificuldades para os artistas da terra. O ator Matheus Marin, está terminando sua formação na Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (ETA), e explana sua experiência. “Aqui em Maceió é muito difícil de seguir e se sustentar com a carreira na arte. Ficar preso aqui é fossilizar. Temos grandes artistas e a maioria deles passaram pela Escola Técnica. É um dos únicos caminhos para quem busca se profissionalizar, aprender, mudar a visão e se desconstruir”, relata.  

 

Nesse ano foram abertas 141 vagas nos cursos técnicos da ETA. Dentre os cursos ofertados foram: Canto Erudito, Instrumento Musical, Arte Dramática, Dança e Produção de Moda. Há 30 anos a Escola Técnica de Artes da Ufal, contribui de para a produção e estimulo da criatividade, valorizando a formação do profissional das artes. Os cursos técnicos profissionalizantes são focados no mercado de trabalho, onde são aprofundados os conhecimentos práticos da profissão.

 

Apesar de muitos artistas se formarem em escolas como a ETA, a classe de artistas recentemente tem se posicionado em relação à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 183 e 293, que trata, da obrigatoriedade de diplomação ou certificação para o exercício da profissão de músicos e artistas em espetáculos.

 

 A não regulamentação permitiria tornar-se profissional destas áreas qualquer pessoa que não tenha diplomação acadêmica e certificado de capacitação. Para muitos artistas, essa ação é desrespeita e marginaliza a profissão. Segundo Matheus, a classe artística alagoana recentemente se reuniu para debater sobre essas questões e foi encaminhado que em primeira instância, os artistas façam um manifesto, para que todos eles recitem sempre antes de toda e qualquer atividade cultural. “Existe uma diferença até nas profissões. O que nós buscamos é igualdade. É o nosso lugar e o nosso respeito por escolher a arte como meio de vida e não ser confundido e discriminado por isso. Escolhemos a arte e exigimos direito igualitário, aposentadoria, licença maternidade, auxílio doença e tantos outros direitos que todos os trabalhadores merecem”, Desabafa o ator.

 



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