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Primeiro museu a céu aberto da cultura afro é inaugurado


Fonte: Secom Maceió

08/02/2020 12h00

A manhã da última sexta-feira (07) foi de alegria para a comunidade de matriz africana alagoana, com a inauguração do primeiro museu a céu aberto da capital: o Axé Pratagy. Trata-se de um espaço religioso, educativo, turístico e cultural, localizado em frente à Praia da Sereia, no Litoral Norte de Maceió, e que tem como objetivo minimizar a visão negativa sobre a cultura afro brasileira. O espaço contou com o apoio da Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac).

Para o presidente da Fmac, Vinicius Palmeira, o Axé Pratagy é um espaço especial para Maceió. “Este é não só um espaço religioso, mas também um espaço cultural importante, com uma conexão muito grande com a natureza e com as coisas muito próprias da religião de matriz africana. Este espaço também se abre para o turismo, pois quem vier nos visitar poderá desfrutar de um espaço que tem todo o simbolismo dessa religião tão importante na formação do povo brasileiro”, frisou o gestor.

O coordenador de políticas culturais da Fmac, Amauricio de Jesus, destacou a importância do espaço para toda a sociedade. “O espaço vai atender estudantes, pesquisadores e a população em geral. A proposta do espaço é receber as pessoas, fazendo um tour e falando sobre esta cultura, e sobre sua importância na formação do cidadão de Maceió. A intenção é fazer com que as pessoas se conectem a uma relação ancestral conhecendo o que todos nós temos dentro das nossas descendências, a cultura afro-brasileira.”

Para o historiador e babalorixá Célio Rodrigues, conhecido como Pai Célio, o espaço é fundamental para combater o preconceito. “Aqui os nossos visitantes vão poder entender um pouquinho da nossa tradição afro-brasileira. Conhecer algumas árvores sagradas, bustos e alguns orixás ligados à água, à terra, ao aço, ao bronze. Tentar dizer para essas pessoas que não adoramos ao satanás, mas sim a natureza: o ar, o céu,  o mar, a terra. É essa a compreensão que a população alagoana tem que ter sobre nossa cultura, evitando o preconceito”, frisou.

Pai Célio explicou como nasceu a ideia de criar o museu. “Quando eu ando em outros estados, percebo que existe um espaço dessa natureza, mas Alagoas não tinha por conta dos vários quebras que passamos aqui, não só foi o de 1912. Teve o quebra de Getúlio, o de 1695 (quando extinguiram todos os nossos ancestrais palmarinos), o quebra de 1817. Todos esses quebras levaram nossos terreiros para o fundo do quintal. Hoje estamos dizendo não a tudo isso”, complementou.

Situado no bairro de Riacho Doce, no Litoral Norte, o Axé Pratagy é um espaço de acolhimento, formação, preservação e manejo das tradições de matriz africana. Ele é cercado por grandes árvores frutíferas, plantas e ervas sagradas. Em sua estrutura, conta com uma fonte, galpão multiuso, casas de orixás, espaços de preservação da memória das tradições afro-brasileiras, alojamentos e áreas de convivência, tudo adornado por esculturas e telas dos deuses africanos.

Para a museóloga Cármem Lúcia Dantas, o local é fundamental para a cidade. “Esse espaço representa um espaço de paz e de confraternização. Por isso é tão importante para a nossa cidade e para o movimento de dar as mãos. Todos nós que temos fé em seres superiores, precisamos nos dar as mãos e esta casa é uma lição de paz entre as diversas religiões, porque todos buscam a paz, então vamos ter tolerância, vamos respeitar uns aos outros.”

Dentro do museu foi construído o Espaço Maria Garanhuns, em homenagem a Yalorixá Maria Rodrigues da Silva, conhecida como Maria Garanhuns, e que enfrentou as conseqüências da Quebra de Xangô fundando o Axé Pratagy na década de 40.

Mãe Zeza, uma das presentes no evento, falou o que achou do museu. “É um espaço bonito e muito organizado. Acredito que locais como esses são relevantes para o combate à intolerância religiosa”, disse.

O fim de semana contará com uma programação especial no local. No sábado, às 14h, acontecerá a primeira celebração do Axé Pratagy, guiada por Pai Célio Rodrigues, responsável por coordenar as atividades da Casa de Iemanjá. No domingo (09), as apresentações dos grupos Maracatu Baque Alagoano, Afro Zumbi e Sambalelê animarão as atividades do espaço, também às 14h. As atividades serão gratuitas e abertas ao público.



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