Turismo e Gastronomia

Confira as praias e os pontos turísticos de Maragogi


Fonte: AMA Alagoas

15/01/2018 13h16

O céu da princesinha do turismo alagoano é de um azul tão fulgente e tão intenso que os pequenos pedaços de nuvens vistos aqui e acolá parece espuma de um spray apertado por alguma criança travessa com a intenção de maculá-lo. O sol assemelha-se ao reflexo de uma luz fortíssima em objeto de aço inoxidável. E a cor da água do seu mar, como já escreveram, é uma mistura de verde esmeralda com azul turquesa. É essa junção, essa dádiva que os deuses concederam a cidade, que tem atraído um número de turistas cada vez maior para o município.

Maragogi é o Caribe brasileiro, o segundo polo do setor, só perdendo para a capital Maceió. De acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui 32.940 habitantes. Localiza-se no extremo norte do estado, em plena Costa dos Corais. Fica a cerca de 125 Km de distância de Maceió e do Recife, tornando fácil o acesso a partir dessas duas importantes capitais do nordeste brasileiro. O padroeiro do município é Santo Antônio, comemorado no dia 13 de junho, com uma tradicional procissão pelas ruas da cidade. Em novembro e dezembro, promove os Festivais da Lagosta (em Maragogi) e o da Mariscada (no povoado de São Bento), respectivamente.

Tem aproximadamente 100 meios de hospedagens (entre formais e informais) e 2.500 leitos. Seus dois resorts, o Salinas Maragogi All Inclusive Resort e o Grand Oca Maragogi, figuram entre os melhores do mundo.

Seu clima é tropical, oscilando entre o quente e o úmido. Altitude de 5m e temperatura média de 27 graus. Suas bacias hidrográficas são formadas pelos rios Maragogi, Persinunga, Salgado e rio dos Paus. O Rio Maragogi nasce no Assentamento Samba, zona rural do município. É um rio com aproximadamente 20 km de extensão, baixo volume de água, que aumenta no inverno devido a grande área de várzea que armazena água e da influência das marés, dando origem aos manguezais. Sua economia são a agricultura, a pesca e o turismo.

Piscinas naturais

Em meio a tantos atributos naturais, uma atração se destaca e extasia seus visitantes. São os arrecifes de coral, que na maré baixa formam as belas e famosas piscinas naturais. Essas formações coralinas integram a Área de Preservação Ambiental Costa dos Corais, que se estende de Paripueira, em Alagoas, até Tamandaré, em Pernambuco.

São três as áreas abertas à visitação: Galés, a quase 6 quilômetros do litoral (a mais conhecida e a mais requisitada), Taocas e Barra Grande, ao norte. Mas todas incrivelmente belas. A riqueza da fauna e da flora local impressiona.

Logo na chegada às piscinas, os visitantes, em um primeiro momento, parecem não acreditar no que estão vivenciando. Passado o impacto inicial, começam a exploração do paraíso. Com snorkel e máscara de mergulho, a hora é de contemplação. Observar as diversas espécies de seres marinhos é deslumbrante, além de relaxante.

O passeio, feito em catamarãs e lanchas, não é realizado todos os dias, pois depende da maré e há restrição ao número de visitantes/dia, além do rodízio das embarcações. Tem duração de cerca de 02h00. Preço por pessoa: a partir de R$ 75,00. O mergulho superficial, com aluguel de máscara e snorkel, custa R$ 15,00. O mergulho com cilindro sai na casa dos R$ 120,00, incluindo CD com fotos do mergulho.

As belas praias de Maragogi

Maragogi tem 22 Km de litoral, onde estão praias de rara beleza, cada qual com sua peculiaridade. Para quem vem de Maceió, ao sul, a primeira praia é a de São Bento, logo após a ponte sobre o Rio Salgado, que separa Maragogi do município de Japaratinga. É uma bucólica aldeia de pescadores cuja tranquilidade é a principal característica.

Logo após, seguindo pela AL-101 Norte, surge Camacho, outra praia maravilhosa, na foz do Rio Maragogi. Algumas praias do município, como Camacho, receberam o nome de sítios que por aqui existiam. Na sequência, vem a praia urbana de Maragogi, com sua orla repleta de bares, restaurantes e pequenas lojas de artesanato. É aqui, especialmente nos fins de semana, o principal ponto de badalação. Burgalhau é a próxima praia, que começa após o Rio dos Paus, ladeado por um denso manguezal.

Depois vem Barra Grande, um histórico povoado, com uma praia ótima para banho e pesca. A praia de Antunes vem logo a seguir e é uma das mais tranquilas, o que a torna muito procurada para descanso, assim como a praia do Dourado, sua vizinha. Ponta de Mangue, que surge na sequência, é uma delícia, com águas calmas e arrecifes de coral, que acolhem na maré baixa, pequenos e coloridos peixinhos. Finalmente chegamos à agradabilíssima praia de Peroba, já na divisa com Pernambuco.

Um pouco de sua história

Inicialmente, Maragogi era um povoado chamado Gamela. Em 1887, foi elevado à categoria de vila, e passou a chamar-se Isabel, em homenagem à princesa que libertou os negros da escravidão. Mais tarde, em 1892, recebeu o nome de Maragogi por causa do rio que banha o local. O nome, segundo historiadores, provém de Marahub-gy, ou rio das Maraubas. Outras interpretações traduzem Mair-aqui-gy-po como rio livre, amplo. Maragogi tomou parte ativamente nas lutas contra os holandeses.

No local registraram-se intensos combates em Barra Grande e São Bento, quando as tropas vinham do Recife com destino a Porto Calvo, que era o local de escoamento da produção agrícola da região, principalmente a cana-de-açúcar. Coube aos moradores da antiga vila desarticular, por duas vezes, tentativas de desembarque holandês no local. Como resquício da História, a tradição familiar no município é muito forte. Aconteceram muitos casamentos entre primos e vários nomes foram guardados, como Lins, Vasconcelos, Buarque, Holanda, Cavalcante e Acioly, entre outros, mantendo vivas suas raízes.

Passeios de bugue

Mas quem visita Maragogi tem outras opções de lazer além de conhecer as tão famosas piscinas naturais. Pegar um bugue e visitar todas as praias do município é um passeio que pode se tornar em uma pequena aventura por vias de barro e areia fina, quase sempre pela beira da praia. As estradas são cingidas por restingas e coqueirais. A brisa bate no rosto e o sol bronzeia, enquanto o pequeno veículo avança e exibe novos cenários paradisíacos e exuberantes.

O passeio pelas praias ao norte de Maragogi vai até Peroba, e pode durar até bem mais de três horas. O bugueiro faz algumas paradas para o turista admirar a beleza, fotografar ou banhar-se.

O início da trilha desse inesquecível passeio é verdadeiramente no Sítio dos Cavalos, já saindo da cidade. Mangueiras e outras árvores fazem arcos para coroar o caminho e recepcionar o visitante. Então se atravessa o Sítio Azeite, localizado às margens do manguezal que protege o Rio dos Paus, e ganha a Rodovia AL 101 Norte. Desce logo no começo de Burgalhau – com direito a ponte de madeira –, trafega pelas paisagens cinematográficas que já se anunciam e novamente desvia-se para a AL 101, até chegar noutra praia, a de Barra Grande. Ali, o trajeto é por dentro dessa aconchegante vila de pescadores, terra do Bumba Meu Boi do Mestre Eurico.

Daí por diante é só deslumbramento. O mar de Antunes até Peroba – fim do passeio – é calmo e forma bancos de areia, e a água é cristalina. É entre essas duas praias que fica a Praia do Xaréu, hoje mais conhecida como Praia da Bruna, pois foi muito frequentada pela famosa atriz e poeta Bruna Lombardi nos ano 80. Uma verdadeira e grande piscina, a melhor para se tomar banho.

O passeio com duas pessoas custa R$ 150; com três, R$ 170; e com quatro, R$ 200.

Trilha do Visgueiro

Maragogi também tem opções para quem quer mudar de cenário e fugir das praias. A trilha ecológica, chamada de Trilha do Visgueiro, é uma caminhada muito agradável de aproximadamente duas horas e meia no meio da Mata Atlântica, ainda preservada. Na trilha estão os grandes e centenários visgueiros, que fazem parte da vegetação nativa. Ao final do percurso, a pedida é tomar um banho de bica e comer uma fruta tirada do pé.

A Trilha fica no assentamento Água Fria, zona rural do município, a 18 km da cidade de Maragogi. São aproximadamente 6 km de caminhada, em uma rota feita em círculo a fim de evitar a repetição de trechos. Esse roteiro até já fez parte de uma lista das 23 Rotas Oficiais da Copa do Mundo de 2014, uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com o Ministério do Turismo (MTur) e o Sebrae, com foco na promoção e comercialização de produtos, serviços e destinos da agricultura familiar localizados no entorno das cidades-sede da Copa.

Os visgueiros são inúmeros. Mas o de maior destaque é o Gran Visgueiro, árvore-mãe com mais de 500 anos e 22 metros de altura. Suas raízes externas ganham destaque a cada aproximação. É como se formassem muretas de proteção capaz de ultrapassar a altura de homem em pé. São necessárias cerca de quinze pessoas para abraçá-lo, de tão grande.

Além dos visgueiros, os turistas têm contato com outras espécies de árvores, esculturas de cipó e animais que habitam a reserva. Os guias são os próprios trabalhadores do assentamento agrário que, durante todo o percurso, relatam histórias sobre a vida da comunidade e a relação com a reserva de Mata Atlântica, que possui árvores que servem de produtos para medicina e arquitetura popular, como também conceitos que envolvem a preservação das espécies e a educação ambiental.

O valor cobrado é de 75 reais por pessoa, e é preciso formar um grupo de no mínimo dez pessoas. Tem que fazer um agendamento prévio e para se chegar até lá, é necessário ir de carro.

No entanto, há algumas restrições para fazer a trilha. Não é recomendada para pessoas com dificuldade de se locomover e fobia de animais silvestres. Melhor horário é pela manhã e aconselha-se que se use roupas apropriadas para realização da trilha, além de protetor solar, repelente, boné e água.

Os bolinhos de goma de São Bento

Em se tratando de iguarias, a marca registrada de Maragogi, decididamente, não são as deliciosas peixadas oferecidas pelos diversos receptivos da orla da cidade e nem pelos restaurantes espalhados pelas deslumbrantes praias do município. Tem preparo e sabor bem diferentes. E nenhum ingrediente vem do mar. São os sequilhos – para os nativos. Ou bolinhos de goma – para os turistas. Fabricados de forma artesanal e desenhados a mão feito pequenas obras de arte, é produto legítimo made in Maragogi distribuído para outros estados do país e com notoriedade nacional.

Apesar da fama e do sabor, não há muito segredo no processo de preparo desses doces. As fábricas que os produzem, em sua maioria, são instaladas nas próprias residências das ou dos proprietários. E os ingredientes são bem conhecidos: amido de milho, leite de coco, margaria, gema de ovo e açúcar. Simples assim. A mágica, diria, está no toque, na habilidade dessas “artistas da culinária”.

Não é difícil encontra-los à venda em Maragogi. Estão nas prateleiras das padarias, supermercados e dezenas de vendedores ambulantes os comercializam pela beira das praias. E para o turista que chega a Maragogi (ou passante), vindo de Maceió, já toma conhecimento da iguaria às margens da estrada. Mais exatamente na AL 101 Norte, ao se deparar com muitas barraquinhas negociando o bolinho, por todo o território do povoado de São Bento, que na verdade foi quem deu origem ao doce e hoje é tradução de bolo de goma.

O bolinho faz tanto sucesso que uma das paradas obrigatórias para muitos turistas é a fábrica da Irmã Marlene. A Fábrica das Sete Mulheres. Há exatas sete mulheres fazendo os sequilhos com as mãos ao redor de uma grande mesa na cozinha, bem próximas de uma das máquinas, onde são assados os bolinhos. Irmã Marlene recebe mais de uma centena de turistas semanalmente, que chegam sozinhos ou levados por vans de empresas turísticas, para a conhecerem e comprarem os bolinhos diretamente da fábrica.

Irmã Marlene está nesse ramo há 36 anos. Cada uma de suas auxiliares produzem o equivalente a cerca de 15kg de massa por dia. A fábrica, que opera com apenas duas máquinas, faz entrega para grandes centros comerciais do Grande Recife. Além dos tradicionais bolinhos de goma, também fabricam a “sua mãe” (derivado do sequilho), a rosca amanteigada e os bolinhos recheados, com três sabores: chocolate, doce de leite e goiabada.

Os saquinhos com 200 gramas e 400 gramas custam, respectivamente, 6 e 12 reais.

Saquinhos com meio quilo e um quilo custam 15 e 30 reais, respectivamente.

O artesanato produzido em Maragogi

Talvez pouca gente saiba, mas existe uma Casa do Artesão em Maragogi – e ela não está inoperante. Situada no antigo Calabouço, hoje Fazenda Boa Vista, zona rural de Maragogi, pelo menos três artesãos ainda fazem uso de seus espaços: Arão Costa, Izaías Lima e Romero Marques.

Apesar do pouco caso das últimas gestões, o que chegou a lhe dá um aspecto de abandono – com um matagal enorme em volta (quem limpa até hoje são os próprios artesãos) –, o pequeno prédio de cinco cômodos pertenceu a uma escola da rede municipal, e foi doação do prefeito Sérgio Lira, em seu primeiro mandato, lá nos anos 90, para uma cooperativa de quase trinta artesãos, denominada Art Coco, que, por falta de incentivo, dissolveu-se.

Cursos e feira

Os profissionais aprimoraram seu talento e suas técnicas em cursos de reciclagem. O curso de como utilizar a fibra da bananeira, por exemplo, foi um deles. Ministrado por profissionais da USP – Universidade de São Paulo, o curso foi em Maragogi, nos anos de 2001 e 2003. Outro de grande utilidade foi o de reaproveitamento de garrafas pet, em 2003, ministrado por dois ex-catadores de lixo de Belo Horizonte, em Maceió, durante oito dias, do qual somente Izaías participou.

Há alguns anos não levam seus trabalhos para fora do município, mas, para se ter uma ideia da boa qualidade de seus produtos artesanais, já expuseram, por alguns anos consecutivos, na badalada Feira dos Municípios, que é realizada anualmente no Centro de Convenções de Maceió, o que lhes deu uma visibilidade nacional muito boa.

Arte das pastilhas

E para quem já se hospedou ou visitou o famoso resort Salinas do Maragogi, observe as paredes da recepção, bem como alguns móveis, como os sofás e as cabeceiras de cama, e os painéis espalhados pelo restaurante Galés. Ambiente chique e sofisticado, não? Tudo revestido pelo talento de Romero. Adivinhem com que material. Pastilhas do quengo do coco. Arte que Romero domina com perfeição.

Essas pastilhas são feitas a partir da retirada de tiras do quengo do coco seco. Depois, são cortadas, numa máquina manual, em pequenas peças quadriculares de 2cm, que, montadas numa placa, são lixadas e ganham acabamento especial com cera da carnaúba. A partir desse processo, o material está pronto para a fabricação de porta-joias, abajures, portas etc.

As Mulheres de Fibra

Também fincada na zona rural de Maragogi, no Assentamento Água Fria, surgiu, em 2008, as Mulheres de Fibra, associação de artesãs que trabalham produzindo renda da fibra da bananeira.
Assim denominaram a Associação por conta da matéria-prima que usam na fabricação de suas peças e por causa das dificuldades que tiveram – e superaram – desde o princípio. Ao longo dos anos, as artesãs receberam consultorias e participaram de capacitações, com temas sobre melhorias nos produtos, relacionamento interpessoal, vendas, atendimento, gestão financeira, dentre outros.

Hoje elas têm sede própria e técnicas de trabalhos bem evoluídas. As agriculturas exploram um turismo participativo, mostrando ao turista como extraem a fibra e como tercem a renda. É uma prática ecologicamente correta, pois, na agricultura, depois que as bananeiras chegam a sua maturidade, seu fruto é colhido e seu tronco descartado, onde viram matéria orgânica.

Mosteiro de São Bento

As ruínas do antigo Mosteiro de São Bento, localizadas no alto do morro do povoado homônimo, foi uma construção erguida no inicio do século 17, pelos fiéis devotos do padroeiro do povoado, segundo o Ministério da Cultura.

A construção do mosteiro data de 1634, em mapa produzido por Georg Marcgraf, cartógrafo e pintor alemão. O prédio servia de base de apoio para frades beneditinos, que se deslocavam entre as cidades de Olinda e Porto Calvo, em suas missões, no século 18. Tinha também uma finalidade estratégica de proteção contra invasão de piratas, principalmente franceses e holandeses.

A igreja foi elevada à condição de paróquia em 1718, permanecendo assim até 1875, quando aconteceu a emancipação política de Maragogi, e sempre foi uma referência para a comunidade.

As ruínas são testemunhos do inicio da colonização do território alagoano. Hoje, apenas alguns poucos paredões ainda se mantêm de pé. A área foi sinalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), mas pouquíssimas ações foram realizadas objetivando salvar esse patrimônio histórico.

A estrada de acesso é de barro e cheia de pedregulhos. No inverno, as chuvas deixam o trecho quase que intransitável.

 



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