CULTURA

Exercícios em tempos de Quarentena - Allan André Sandes Borges


Adalberto Souza

14/06/2020 15h34

Hoje a colaboração para o blog é do Profissioal de Educação Física Allan A. Sandes Borges, um tema bem adequado para começar a semana:

Demasiado tem-se ouvido falar entre a relação dos exercícios e seus inúmeros benefícios. Benefícios estes em sua grande parte focados de forma errônea na busca pela tradução estética do corpo. Essa perspectiva está sendo mudada, mesmo que de uma forma tão drástica, que nessa pandemia nos obriga de uma forma geral também mudar a consciência do porque do exercicio durante esse período da nossa vida.

Nessa fase em que se encontra a humanidade, inseridos num processo de pandemia,  é dito que o melhor para o ser humano é o isolamento, isolamento esse que de uma certa forma já era realizado, porém agora a consciência é outra, a consciência agora é que é preciso isolar para nos manter sãos, vivos e bem.

Saúde, significa a união cabal da sua interação social, física e mental. Bagagens a parte trazida com essa pandemia inesperada, muitos efeitos já puderam ser sentidos, e não foram os virais. Um maior estresse por estar “encarcerado”, uma maior ansiedade por não saber o que pode acontecer, uma depressão pelas coisas não estarem acontecendo da maneira desejada, e associando tudo isso um estado de inércia que aumenta os fatores de risco pra inúmeros malefícios associados ao isolamento social.

Muito pode e deve ser feito para minimizar estes efeitos durante o período  que estamos todos a passar. Brincadeiras, jogos, e por que não exercícios? Exercícios simples sem toda aquela “parafernália” das máquinas das academias etc.

Como tudo na vida, a atividade física tem seu ritmo. Observe-se enquanto individuum, realize os movimentos no seu tempo, dentro da sua individualidade, perceba enquanto ser humano a evolução dos seus movimentos e use isso ao seu favor. Construa uma nova rotina, uma nova perspectiva ao seu redor do que você pode fazer por você e como pode influenciar outros a fazerem o mesmo e com isso construir uma saúde plena.

Eis o que pode ser feito: alongar; sentar e levantar; ir e voltar em linha reta  mudando as direções e incrementando com velocidade, percepção de espaço e direção, uma marcha estacionária (elevando os joelhos e os trazendo para perto do tronco), até mesmo um simples polichinelo dos tempos dos nossos pais.

A intenção aqui e agora é manter-se ativo, em movimento, gerando uma sensação de bem-estar, de leveza, onde as vantagens por mais que sejam testadas e aprovadas a nível muscular, cardiovascular, cardiorrespiratório, endócrino e neural, já são o suficiente para nos deixar prontos para um novo patamar de consciência do que os exercícios podem fazer por nós.

Apenas fazendo um adendo a tudo isso que está acontecendo, o maior benefício que todo esse processo ao qual a humanidade está passando, acredito que ao ritmo da pandemia muito mais pessoas vão ter uma nova visão do que exercício significa de fato na vida delas, trocando a prática com o objetivo puramente estético pela manutenção da sua própria vida, da sua saúde, e quem sabe enxergando a estética, o ideal David de Michelangelo e a perfeita Vênus de Botticelli, apenas como uma mera obra anatômica da criação do universo. A realidade é outra.



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