Cooperativismo

Cooperativas se tornam essenciais na exportação de produtos de pequenos produtores

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Por MundoCoop 05/04/2025 10h10
Cooperativas se tornam essenciais na exportação de produtos de pequenos produtores
Cooperativas se tornam essenciais na exportação de produtos de pequenos produtores - Foto: Reprodução

A ampliação da presença de produtos brasileiros nos mercados internacionais tem expressado a nova fase presente no setor do agronegócio. Dados apresentados no final do último ano exemplificam o crescimento do mercado, que, em 2024, exportou mais de US$ 337 bilhões.

O volume apresentado nos relatórios de 2024 elucidam a dimensão do agronegócio para a economia brasileira e importância do setor para diversos países do globo terrestre. Neste cenário de evolução, as cooperativas têm se destacado pela democratização da comercialização internacional, auxiliando pequenos e médio produtores nos processos de estruturação, suporte e representação coletiva.

Potencial do cooperativismo na exportação


A consolidação do cooperativismo brasileiro no comércio exterior pode ser defendida sob a justificativa de diversos dados apresentados pelo Sistema OCB. Em relatório com a Apex Brasil, as cooperativas apoiadas pela agência renderam mais de US$ 8 bilhões com exportações em 2023, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.

A pesquisa ainda destaca os principais estados com exportações via cooperativas. Na lista, o estado do Paraná lidera com 50% das exportações via cooperativas, na frente de Santa Catarina (19%) e Minas Gerais (12,5%).

Por que cooperativas são um bom caminho para o produtor que quer exportar?


Os números são positivos em relação a exportar por meio de uma cooperativa porque esse modelo traz diversas vantagens, especialmente para pequenos e médios produtores que desejam ampliar seu mercado.

Os motivos pelos quais tornam as cooperativas melhores ambientes para produtores interessados na ampliação do comércio exterior são vários, e incluem:

Escalabilidade para pequenos produtores: Pequenos produtores que desejam entrar no mercado internacional podem encontrar barreiras operacionais e burocráticas para entrar no mundo da exportação. Contudo, as cooperativas podem facilitar o acesso ao comércio exterior ao reunir produtores com interesses comuns para negociar volumes maiores e obter condições comerciais mais competitivas.

Sustentabilidade como tendência de consumo: Cada vez mais, o mercado global prioriza produtos sustentáveis. As cooperativas têm se destacado nesse cenário ao adotar práticas ambientais responsáveis e com as certificações exigidas por vários países. Isso amplia a aceitação dos produtos e aumenta o valor agregado deles.

Agregação de valor e diversificação de mercados: A atuação coletiva permite que as cooperativas invistam em infraestrutura, certificação e tecnologia, possibilitando a oferta de produtos com padrão internacional de qualidade. Atuando de forma independente, muitos produtores não conseguem ter acesso a esses recursos.

Geração de oportunidades por meio da colaboração: O cooperativismo tem como base a colaboração entre seus membros. Ao unir forças, os produtores têm mais capacidade de acessar mercados internacionais, fechar negócios e participar de iniciativas governamentais que incentivam as exportações.

Novas perspectivas para a comercialização no exterior

Buscando fortalecer ainda mais o tema, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (2), o Projeto de Lei da Reciprocidade (PL 2.088/2023), que protege as exportações brasileiras de barreiras comerciais abusivas impostas por outros países. A proposta, aprovada previamente no Senado, segue para sanção presidencial.

O deputado Arnaldo Jardim (SP), relator da matéria e presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), celebrou a conquista e ressaltou a importância da proposta. “É um dia de celebração! A Frencoop, com o apoio da FPA [Frente Parlamentar da Agropecuária] e de diversos partidos, entregou um documento essencial para resguardar os interesses e a competitividade do Brasil no cenário global. Esse é um avanço significativo para o setor”, afirmou.

A criação da proposta decorreu das preocupações com barreiras comerciais ambientais impostas por outros países, como as medidas da União Europeia, que poderiam prejudicar a competitividade do agronegócio brasileiro. No entanto, Jardim reforçou que o projeto tem caráter defensivo e será acionado com cautela. “Agora temos um instrumento legal que pode ser utilizado caso o Brasil enfrente retaliações externas. Essa medida não é automática, mas sim reativa e cautelosa, sendo aplicada apenas quando todas as possibilidades de negociação forem esgotadas.”

A partir da nova medida, o Brasil poderá adotar taxas maiores de importações vindas dos Estados Unidos ou de blocos comerciais ou suspender concessões comerciais e de investimento. Nesta perspectiva, o páís e os produtores brasileiros ganham um instrumento legal para equilibrar negociações internacionais e asseguram que exigências excessivas de parceiros comerciais não inviabilizem os fluxos do comércio brasileiro.