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Alagoas tem mais casos de coronavírus e menos mortes


Fonte: Blog do Edivaldo Júnior

07/08/2020 11h30

Até agora a lógica da pandemia do novo coronavírus tem sido uma só: quanto mais aglomeração, mais casos confirmados; quanto mais casos, mais mortes.

Os dados do momento revelam uma inesperada realidade em Alagoas. O número de novos casos aumentou quase 60% em duas semanas. Em contrapartida o número de mortes por Covid-19 continua caindo no Estado.

Considerando o período de duas semanas (métrica usada para evolução de fases da pandemia na maioria dos Estados), na média móvel de 7 dias, o número de novos casos diários no Estado saltou 59%.

De acordo dados do Covid Mapbiomas,  a média eradera 545 no dia 23 de julho e aumentou para 867 novos casos em 6 de agosto. No mesmo período, a média móvel de óbitos por Covid-19 em Alagoas caiu de 16 para 13,2 mortes por dia, um recuo de 17%.

Os gráficos ilustram bem essa realidade. A curva de casos se inverteu para cima e a de óbitos segue a trajetória de queda.

Um dado relevante é que nessa quinta-feira (6) foram registrados dez óbitos (veja aqui), o menor número de mortes por Covid-19 em mais de dois meses em Alagoas. Não é nada que mereça comemoração, mas é um importante avanço.

Mais casos, menos mortes?

A explicação pode estar no tratamento dos doentes. Hoje os profissionais da saúde lidam melhor com a Covid-19 do que no início da pandemia.

A ampliação da rede de saúde em Alagoas e o uso de novas drogas também parece ter contribuído – e muito – para essa nova realidade.

De acordo com cientistas que integram o “Observatório da Covid-19” da Ufal, as medidas de isolamento social e o uso de medicamentos específicos estão ajudando a reduzir a gravidade da doença e a mortalidade que ela provoca.

Confira um trecho relevante do “boletim do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19 (veja aqui)” sobre o uso da Dexametasona, medicamento que estaria ajudando a salvar vidas em Alagoas.

“Considerando que mais da metade das regiões analisadas apresentou elevação de novos casos na última semana, que a retomada do transporte intermunicipal tende a aumentar o fluxo de pessoas entre os diversos municípios e regiões do estado e o avanço retomada de diversas atividades a partir do avanço no modelo de distanciamento controlado, reforçamos à necessidade da intensificação das medidas de enfrentamento da doença a fim de reduzir a contaminação pelo novo Coronavírus. Entre tais medidas estão o distanciamento social, o uso da máscara e a higienização das mãos.

Evidências apontam que a adoção destes comportamentos é capaz de reduzir a circulação (transmissibilidade) do novo Coronavirus; outro potencial efeito protetor se refere à capacidade desses comportamentos reduzirem a manifestação de sintomas e da gravidade da COVID-19, uma vez que a “dose de virus” recebida no encontro com pessoas infectadas seria menor.

Além disso, estudo recente identificou que o uso de dexametasona reduziu substancialmente a taxa de mortalidade em pessoas internadas com complicações respiratórias graves decorrentes da COVID-19”.

Prevenção

O melhor caminho, apontam os integrantes do “observatório”, continua sendo a prevenção.

“Ainda, é importante pontuar que a limitada capacidade de testagem pelo estado, a demora para obtenção dos resultados do exames RT-PCR e a ausência de inquéritos epidemiológicos seriados de soroprevalência compromentem sobremaneira a capacidade de efetivamente reconhecer a real situação em Alagoas.

Por fim, recomendamos que o gestores públicos estabeleçam ações efetivas para o controle da transmissão a fim de contar esses novos focos de propagação, que resultaram no aumento registrado nessa última semana. Dentre essas ações, sugerimos a ampliação de campanhas educativas para adoção de comportamentos de proteção coletiva, como o uso de máscaras fora do ambiente domiciliar, a higienização das mãos e de superfícies com frequência e não permanecer/formar aglomerações. Além disso, reforçamos a necessidade de efetivar a fiscalização de estabelecimentos comerciais e religiosos, os quais se configuram como pontos críticos de aglomeração de pessoas.”, diz o boletim.



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