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Alagoas volta a registrar sinais de descontrole da Covid-19


Redação
Fonte: Com informações do Observatório da Ufal

19/04/2021 16h09

O boletim do Observatório alagoano de Políticas Públicas Para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mostrou que Alagoas voltou a registrar sinais de descontrole da transmissão após um período de desaceleração do novo coronavírus. Naúltima semana havia evidências de que o número de casos e óbitos por Covid estavam reduzindo no Estado. 

De acordo com o  coordenador do Observatório, Gabriel Bádue, na 15ª Semana Epidemiológica (SE) de 2021, entre sábado (10) e domingo (18), foi observado o aumento de novos casos, óbitos e casos suspeitos, além da manutenção da alta taxa de ocupação hospitalar, que no caso dos leitos de UTI continua próxima à 90%.

Para o coordenador do Observatório, a 15ª SE mostra um retrocesso e preocupa. "A  situação é grave. A ocupação de UTI só não ultrapassa 90% porque União dos Palmares é uma exceção", frisou. 

O relatório mostra ainda que os óbitos continuam concentrados na capital, onde foram notificadas cerca de 55% das mortes registradas no período. Maceió e os municípios da Região Metropolitana (1ª RS) foram as localidades com maior taxa de óbitos na 15ª SE, seguidas por Arapiraca. As três registraram nesse período, respectivamente, 8,8, 6,6 e 5,6 mortes para cada 100 mil habitantes.

Em relação aos casos, a tendência de alta foi observada em quase todas as localidades analisadas, tendo Arapiraca, Maceió e sua região Metropolitana (1ª RS) registradas as maiores taxas de incidência, respectivamente, iguais a 266, 214 e 213 casos para cada 100 mil habitantes. Já os óbitos, continuam concentrados na capital alagoana onde foram notificadas cerca de 55% das mortes registradas no estado no referido período. 

Ocupação de leitos

Segundo levantamento, os leitos de UTI para Covid-19 seguem com a ocupação estabilizada. Não houve aumento, mas também não houve redução. E esses leitos estão acima dos limites de segurança, com ocupação média de 87% nas últimas semanas.

O Comitê Científico do Consórcio Nordeste (C4N) determina o patamar de 80% como o recomendado para adoção de medidas mais restritivas de circulação de pessoas, como o lockdown.

Outro ponto preocupante é a distribuição de leitos pelo estado. Apenas nove dos 102 municípios possuem UTIs exclusivas para Covid-19. Desses nove, sete se encontravam com ocupação acima de 80% no último sábado.

Palmeira dos Índios e Penedo registraram 100% de ocupação, e Maceió possuía apenas 21 leitos disponíveis.

Os pesquisadores do Observatório alertam que, como os números da pandemia no estado apresentam, novamente, sinais de descontrole, com a ocupação das UTIs em níveis perigosos, se o atual cenário não foi revertido, pode haver saturação do sistema de saúde e mais mortes.

Estimativa de vacinação

Segundo o levantamento, em Alagoas, a vacinação já atingiu 409.739 pessoas. Desse total, 181.983 foram vacinadas na última semana.

"Assim, 12% da população recebeu a primeira dose enquanto pouco mais de 4% também recebeu a segunda dose. Mantido o ritmo de vacinação da última semana, levaremos cerca de 21 semanas para imunizar toda a população adulta alagoana, que corresponde a cerca de 66% da população. Nesse cenário, este resultado será obtido no início de setembro", diz um trecho do relatório.

Os pesquisadores do Observatório recomendam aceleração da campanha de vacinação e medidas para diminuir a circulação de pessoas para reverter o atual cenário da pandemia em Alagoas.

"A tendência de alta de casos e óbitos observada ao final da 15ª SE e a elevada ocupação hospitalar são evidências do atual cenário de descontrole da transmissão do novo coronavírus, que não sendo revertido poderá causar o esgotamento do sistema de saúde que já apresenta indícios de saturação em algumas localidades. Neste cenário, é imprescindível a aceleração da campanha de vacinação acompanhada da adoção das medidas de mitigação e supressão que têm como objetivo reduzir a circulação de pessoas com o objetivo de controlar a transmissão do novo coronavírus", diz um trecho do levantamento.



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