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Indenizações estariam 30% abaixo do previsto, relatam moradores do Pinheiro


Redação
Fonte: Tribuna Hoje

08/04/2021 16h45

Desde 2018, donos de imóveis no bairro do Pinheiro, em Maceió, reclamam dos valores apresentados pela Braskem nas propostas de indenizações. De acordo com alguns ex-moradores, as propostas teriam diferenças de 30% a menos que o esperado.

Segundo os proprietários, os valores apresentados nas propostas vêm diminuindo. Imóveis com o mesmo padrão e tamanho, tiveram propostas diferentes em períodos distintos.

Mônica Medeiros, proprietária de um apartamento, na região afetada, afirma que tem havido diferenças nos valores ofertados pelo metro quadrado dos imóveis. Segundo Mônica, não há uma padronização e que também não tem havido explicações por parte da empresa sobre os critérios utilizados. Quando questionado sobre quais os critérios e eles disseram que os critérios eram sigilosos.

“Meu imóvel está situado numa rua principal, próximo ao Hapvida com várias funcionalidades, 108 m², três quartos, dependência completa de empregada. Mas na primeira proposta eles avaliaram meu apartamento em R$ 230 mil calculando o metro quadrado a R$ 1.900. Eu questionei porque meu apartamento com todas as características, eles vieram pagar um valor inferior ao Jardim Acácia e nas encostas. Não desmerecendo essas áreas. A questão é o quanto pagaram pelo m². Meu apartamento foi o menor valor dos prédios do Pinheiro. Eu disse que também tinha outro apartamento, na Lagoa Manguaba e que eles pagaram R$ 3 mil o m². E porque esse foi pago R$ 1.900?” relatou Mônica.

Segundo a proprietária, uma avaliação particular foi realizada e uma nova reunião deve definir os rumos da negociação. “Todos os questionamentos foram feitos, junto com advogada. No Jardim Acácia foi pago R$ 2.700 o m². Pedi uma reanálise. Na segunda reunião disseram que o valor era o mesmo. Não ficamos sabendo os critérios de avaliação. Pediram para eu fazer uma reavaliação por fora, para apresentar e marcar outra reunião. Na avaliação que eu fiz deu muito superior. Eles mentem em dizer que pagam o valor similar do m² aos bairros próximos. Agora estou esperando a terceira reunião para ver o que eles vão me oferecer”, disse.

Pierre Lattiffe Corretor de imóveis é morador do Pinheiro, de uma área que não está classificada como de risco, afirma que vem realizando avaliações individuais de imóveis no Pinheiro e que os valores das propostas têm sido divergentes.

“Vemos imóveis que há uns meses atrás recebiam R$ 600 mil de proposta e outro do mesmo padrão, hoje recebendo R$ 450 mil. Quando vamos avaliar, não é só a questão do imóvel em si, temos que avaliar móveis planejados, por exemplo, são várias coisas que entram na questão. Se um proprietário aceita esse valor, como fará para conseguir outro, nas mesmas condições, com o mesmo conforto?” afirmou Pierre Lattiffe.

Por meio da assessoria de comunicação a Braskem informou que vem cumprindo todas as cláusulas dos acordos.

“A empresa vem cumprindo o acordo assinado em janeiro de 2020 e todos os dados vêm sendo apresentados às autoridades. O programa tem mantido o alto índice de aceitação das propostas, que é de 99,8%. Em todos os casos, a empresa avalia os pleitos trazidos pelos moradores e, se comprovada à necessidade de uma nova análise, as propostas são revistas. E os acordos assinados entre a Braskem e os moradores e comerciantes das áreas de desocupação são homologados pela Justiça. A Braskem já pagou quase R$ 713 milhões em indenizações, auxílios financeiros e honorários de advogados”.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou no mês passado um procedimento para verificar quais os critérios utilizados pela Braskem para definir as propostas de indenização, em razão as denúncias feitas por donos de imóveis das regiões atingidas pelo afundamento.

O órgão não especificou quantas reclamações foram protocoladas. Mas reitera que segue acompanhando de perto o caso e tomando providências.



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