Política

Maceió pode ficar sem debate de candidatos na TV


Fonte: Blog do Edivaldo Júnior

24/09/2020 10h30

Em ano de eleição, o debate na TV é um dos eventos mais esperados por candidatos majoritários e eleitores. O confronto de ideias tem grande peso e pode ser decisivo para a definição do voto, especialmente dos indecisos. Na eleição deste ano, por conta da pandemia, Maceió pode ficar sem debate na TV pela “primeira vez”.

Até agora, a única emissora de televisão aberta com debate previsto no Estado é a Gazeta de Alagoas. A data programada, seguindo a grade da TV Globo, é a quinta-feira, 12 de novembro, três dias antes do pleito.

O encontro, último na televisão aberta e considerado o mais importante antes do pleito, pode ser cancelado. A Rede Globo anunciou, na última segunda-feira (21), que os confrontos entre os concorrentes nas capitais só acontecerão se houver acordo para que apenas os quatro candidatos à frente na pesquisa de intenção de voto mais recentes (Ibope ou do Datafolha) participem. A emissora também comunicou que as entrevistas em estúdio foram canceladas.

Em Alagoas, a TV Gazeta, afiliada da Globo, seguirá as mesmas regras, por conta das restrições da pandemia do novo coronavírus. A Gazeta já fez o comunicado para os coordenadores de campanhas dos candidatos a prefeito em Maceió. Sem acordo, o eleitor vai perder a oportunidade de conhecer melhor as propostas e de ver o desempenho dos candidatos no confronto direto – ao menos no primeiro turno.

Maceió tem dez candidatos a prefeito e oito tem direito por lei de participar dos debates: Alfredo Gaspar, Davi Filho, Cícero Almeida, Cícero Filho, JHC, Josan Leite, Ricardo Barbosa e Valéria Correia.

Alguns dos candidatos que não estão entre os quatro primeiros nas pesquisas já avisaram que não tem acordo. Sem acordo, perdem todos os candidatos e o eleitor. Se nada mudar, será necessário esperar o segundo turno, caso tenha, para ver o “cara a cara”. 

Comunicado

No comunicado, a Globo cita a impossibilidade de realizar o debate presencial com grande número de candidatos, em cidades que tem dez ou mais candidatos. É o caso, por exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Maceió.

Veja o comunicado da Globo, na íntegra:

“Desde o início da pandemia, a Globo tem se esforçado ao máximo para esclarecer o público sobre como evitar o contágio pelo coronavírus. Como prestam um serviço essencial, seus jornalistas não pararam de trabalhar, mas seguem um rígido protocolo para evitar ao máximo que adoeçam.

No planejamento para cobrir as eleições municipais, acreditou-se que o país chegaria a outubro com taxas de contágio sob controle, o que, infelizmente, não ocorrerá. Há outro aspecto: o elevado número de candidatos a prefeito em quase todas as cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, para citar apenas três, com dez ou mais candidatos. Isso impõe grandes desafios.

Para se ter uma ideia, com dez candidatos, considerando que cada um possa ser acompanhado de apenas dois assessores (no passado esse número era superior a dez), haveria 30 pessoas ligadas às campanhas no estúdio num debate de primeiro turno. Acrescentando a equipe da Globo minimamente necessária para realizar o evento com qualidade, esse número supera 200 pessoas, incluindo jornalistas, câmeras, produtores, profissionais da sala de controle técnico, tecnologia, comunicação, operações e segurança (num debate normal, com plateia e convidados, é o dobro disso). Não há protocolo sanitário que garanta a saúde aos profissionais da Globo e aos candidatos.

Além disso, a severidade da legislação eleitoral não permite que a Globo possa exigir que sejam cumpridas as medidas de precaução (realização de certo número de testes necessários anteriores ao debate, afastamento entre as campanhas no estúdio, respeito aos espaços delimitados pelos painéis de acrílico, posicionamento no estúdio, uso de máscara o tempo todo por assessores). Também não permite que o candidato seja impedido de participar do debate ou dele afastado caso não cumpra as medidas. Isso é grave. Recente ato oficial em Brasília mostrou que, mesmo medidas de precaução, como painéis de acrílico separando autoridades, uso de máscaras e presença limitada a um mínimo, não evitaram que um surto fosse atribuído ao evento.

A alternativa de fazer um debate de forma remota não é possível. Os candidatos precisam ser tratados de forma equânime e ter as mesmas condições, e o público precisa perceber isso. Um candidato pode injustamente ser acusado de estar com ponto eletrônico, de estar recebendo ajuda de assessores, por exemplo. A transmissão pode cair num momento importante do debate, e a Globo ser injustamente acusada de ser a culpada ou, da mesma forma, e também de forma injusta, o candidato ou sua campanha serem acusados de terem provocado a interrupção para fugir de um momento difícil.

Por tudo isso, a Globo decidiu que só fará debates no primeiro turno onde haja acordo entre os partidos para que apenas os quatro mais bem colocados candidatos na pesquisa eleitoral mais recente (Ibope ou DataFolha) participem dos debates. A Globo vai lutar por esse acordo. O debate de segundo turno permanece com a data prevista.

Da mesma forma, as entrevistas em estúdio com os candidatos também não serão feitas. A característica dessas entrevistas é terem tempos iguais para todos e mesmo grau de dificuldade. São feitas em muitos dias consecutivos, com os candidatos sentados próximos dos entrevistadores e dos câmeras. E os candidatos comparecem a elas com assessores. É impossível conhecer o nível de exposição de candidatos ao vírus durante uma campanha. Não se pode garantir como interagem com os eleitores nas ruas. Os estúdios da Globo são ambientes altamente controlados para evitar contágio de seus profissionais. O risco de submeter suas equipes ao coronavírus por dias seguidos de contatos com candidatos em permanente exposição às ruas é muito alto. Pelas mesmas razões elencadas sobre debates, não é possível realizá-las de maneira remota.

Essas medidas são válidas para todas as quatro emissoras Globo (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife onde há eleições) e recomendadas a todas as suas afiliadas, que seguem o mesmo protocolo.

Fora esses pontos, a Globo fará uma cobertura das eleições ainda mais extensa que em anos anteriores, com assuntos temáticos, abordando com mais intensidade aqueles de maior interesse do público revelados por pesquisas, esmiuçará os planos dos candidatos, a viabilidade deles e como pretendem alcançá-los, os pontos polêmicos de cada candidatura, ouvindo diariamente os candidatos sobre os temas abordados, mas de forma segura. E divulgará pesquisas eleitorais do Ibope e/ou DataFolha.

O jornalismo fará o que tem feito ao longo de toda essa pandemia: oferecer informação de qualidade, mas seguindo todos os protocolos sanitários. E precisa dar o exemplo. Não pode cobrar dos outros o que não faz para si.”



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