Política

JHC foi “leviano” ao justificar falta em debate na TV, diz jornalista


Redação
Fonte: Jornal de Alagoas

20/11/2020 23h46

O candidato do PSB à prefeitura de Maceió perde a oportunidade de usar o tempo do debate na TV Pajuçara, realizado nesta sexta-feira (20), à noite. Apenas o candidato do MDB, Alfredo Gaspar de Mendonça, compareceu.

O candidato enviou um e-mail apenas minutos antes do horário limite que devera chegar à emissora (18h20) avisando não compareceria. Uma hora antes disso, já havia divulgado um vídeo nas redes sociais em que acusa a emissora de manipulação.

“Pessoal, descobri agora que esse debate da TV Pajuçara é uma armação. A TV Pajuçara é comandada pelo Rui Palmeira. Eles armaram uma arapuca porque estão desesperados”, disse. A afirmação, sem provas, repercutiu negativamente na imprensa alagoana e também nos meios políticos.  

A declaração de JHC carece de esclarecimentos. Rui Palmeira não é sócio ou diretor da empresa, apesar de ter um parente seu entre os acionistas.

Na verdade o controle da empresa cabe a família Tenório que tem interesse direto na eleição de JHC, como informa o jornalista Odilon Rios em seu blog: “Além disso, na TV Pajuçara, a maioria dos sócios vota em JHC. A TV é dividida em três grupos: os ligados a Rui Palmeira, José Thomaz Nonô e João Tenório. Apenas Rui Palmeira torce pela derrota de JHC nas urnas. Nonô esteve com Davi Davino no primeiro turno e está com JHC no segundo. João Tenório também é JHC”, diz Rios.

O jornalista explica ainda que “com fortíssimas ligações políticas e familiares com o PSDB, Tenório torce pela vitória de João Henrique porque o primeiro suplente de deputado federal é Pedro Vilela, do PSDB, sobrinho do ex-governador Teotonio Vilela Filho”.

A reação mais dura veio no entanto do jornalista Ricardo Mota. Em seu blog, ele no TNH1, ele diz que “a empresa há de saber se defender” e continua: “entretanto, ao me deparar com algumas das desculpas infantis apresentadas por ele, num vídeo típico de rede social, acho que devo, sim, me manifestar. Para dizer tão somente que se ele tivesse tido, por um dia apenas na vida, a necessidade de trabalhar para sobreviver com integridade e decência, não teria jamais atacado profissionais que vivem do que ganham honestamente. Estes vendem a força de trabalho, não a sua consciência”, afirmou.

Ricardo Mota traduz: “Numa frase, seu comportamento foi de adolescente irresponsável e leviano”.

Regras

As regras do debate na TV Pajuçara são nacionais e obedecem ao padrão da Rede Record, como acontece na Globo. As afiliadas são obrigadas a seguirem os padrões. E todas assinam um contrato para isso. Ou pagam multa, com risco de perderem o vínculo com a emissora, o que torna quase impossível a manipulação das regras para favorecer um ou outro candidato.

Além disso, JHC parece ter distorcido os fatos. Ele teve acesso antecipadamente a todas as regras. Foram três blocos de perguntas. Em dois deles os candidatos se enfrentariam no confronto direto, fazendo perguntas de livre escolhas. Em apenas um bloco as perguntas eram gravadas. E um detalhe. A mesma pergunta valia para os dois candidatos e canda um responderia na base do sorteio. As perguntas foram feitas por pessoas que tem reconhecida competência e isenção: a médica Luciana Pacheco, o jornalista Ricardo Mota, o economista Cicero Pericles e o reitor da Ufal Josealdo Tonholo.

 



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