Política

Comandantes das Forças Armadas deixam os cargos


Redação
Fonte: Folha de S Paulo

30/03/2021 15h30

O Ministério da Defesa anunciou nesta terça-feira (30) a troca dos três comandantes das Forças Armadas. O general Edson Pujol, do Exército; o almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, da Marinha; e o tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, da Aeronáutica, se reuniram mais cedo com o ministro Braga Netto, que foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o novo ministro da Defesa. Essa é primeira vez na história que os três comandantes das Forças Armadas pediram renúncia conjunta por discordar do presidente da República.

Todos reafirmaram que os militares não participarão de nenhuma aventura golpista, mas buscam uma saída de acomodação para a crise, a maior na área desde a demissão do então ministro do Exército, Sylvio Frota, em 1977 pelo presidente Ernesto Geisel.

O ministro Braga Netto tentou dissuadi-los de seguir o seu antecessor, o também general da reserva Fernando Azevedo, demitido por Jair Bolsonaro na segunda-feira (29), que também estava na reunião. Houve momentos de tensão na reunião, segundo relatos. Com efeito, na nota emitida pelo Ministério da Defesa, é dito que os comandantes serão substituídos —e não que haviam pedido para sair.

Na reunião, ainda de acordo com relatos, o comandante da Marinha teve um momento de exaltação com o novo ministro da Defesa, Braga Netto. Insatisfeito com a demissão de Azevedo, o almirante apontou que a mudança pode gerar apreensão no país e que afeta a imagem das Forças Armadas.

A tendência hoje é a de que seja indicado o atual secretário-geral do Ministério da Defesa, almirante Garnier Santos, para o comando da Marinha, e o comandante militar do Nordeste, general Marco Freire Gomes, para o comando do Exército. Para a Aeronáutica, ainda não há um nome definido.

A nomeação de Freire Gomes, no entanto, enfrenta forte resistência nas Forças Armadas, uma vez que há seis generais quatro estrelas mais antigos que ele na hierarquia militar. A cúpula militar do Palácio do Planalto tem tentado convencer o presidente a escolher outro nome.

Ex- ministro Fernando Azevedo e Silva

Demitido repentinamente pelo presidente Jair Bolsonaro, o agora ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva admitiu a interlocutores que se sentia desconfortável no governo e havia uma pressão para maior envolvimento político das Forças Armadas, o que ele não permitiu e terminou por levar a seu afastamento, disseram à Reuters fontes que acompanharam as conversas.

Demitido no início da tarde de segunda-feira (29) por Bolsonaro, Azevedo recebeu diversos telefonemas. Entre eles, do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e de pelo menos três outros ministros do STF, além de vários parlamentares. Em todos, a preocupação com possíveis riscos institucionais que poderiam vir das mudanças planejadas por Bolsonaro nas Forças Armadas.

 



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