Rural

Relação entre governo Biden e China afetará agronegócio no Brasil


Fonte: Folha de S. Paulo

14/11/2020 22h35

Beneficiado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, o agronegócio brasileiro deve sofrer impactos de curto prazo com uma esperada distensão do conflito pelo governo democrata eleito. A expectativa é que, com uma visão mais multilateralista, o democrata Joe Biden tende a retomar o comércio com o país asiático.

Segundo analistas, produtores de soja, carne e açúcar devem ser os mais afetados, porque vinham substituindo exportadores americanos no fornecimento ao mercado chinês. As vendas dos três produtos para o país asiático registraram forte expansão em 2020, com impacto sobre os preços no mercado interno.

“A única coisa que preocupa [num governo Biden] é uma eventual retomada de negociações entre EUA e China. A briga abriu espaço enorme das exportações brasileiras, e uma retomada sem preparações pode criar um problema”, diz o coordenador da FGV Agro, Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura.

Até outubro, o Brasil exportou para a China US$ 58,4 bilhões (R$ 318 bilhões), alta de 11% ante o mesmo período de 2019.

O país é o maior comprador de soja, carne e açúcar brasileiros. Com a pandemia, ampliou as importações de alguns dos produtos para manter estoques em caso de rupturas nas cadeias produtivas globais. E, com as tarifas impostas aos EUA durante a guerra comercial, o Brasil ocupou boa parte do aumento da demanda.

As vendas de soja para lá cresceram 15,8% no ano. As de carne bovina subiram 87,2%, e as de açúcar quase triplicaram.

“Estranhamente, a guerra comercial teve a curto prazo efeitos benéficos para o Brasil”, diz o economista Mauro Rochlin, da FGV.

“Quando os EUA sobretaxaram chineses, a China sobretaxou a soja americana, o que representou oportunidade de negócios. O Brasil entrou de maneira mais profunda no mercado chinês.” - finalizou.

Por outro lado, o aumento das compras pela China fez as cotações no mercado internacional dispararem, com efeitos nos preços dos alimentos e dos combustíveis no Brasil, levando o governo a zerar alíquotas de importação e a um inusitado aumento nas compras de soja pelo país.

Empresários do setor temem ainda que diferenças ideológicas entre Jair Bolsonaro e Biden possam prejudicar as vendas para os EUA, além de travar acordos comerciais em negociação pelo Brasil.


 



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